Terrorismo na França x Terrorismo no Brasil
Por que o brasileiro chora as mortes lá fora enquanto ignora o genocídio aqui dentro?


Há alguns dias uma barragem na histórica cidade mineira de Mariana se rompeu causando mortos, feridos e uma tragédia ambiental digna de um Chernobyl em versão lama.
A lama fez seu percurso pelo Rio Doce, destruindo, inutlizando e contaminando o que foi encontrando pela frente, deixando sedento todo vilarejo, cidade ou povoado que dependia de suas águas, incluindo Governador Valadares que, diga-se de passagem, não é uma cidade pequena.
Biólogos dizem que a catástrofe será maior ainda quando os rejeitos contaminados chegarem ao mar do Espírito Santo.
Talvez por causa do número, até então, reduzido de mortos, essa catástrofe foi menos noticiada do que uma final de Big Brother, apesar de se fazer presente nos jornais.


Além desse acontecimento incomum, algumas tragédias mais banais passam, surpreendentemente, despercebidas pelo olhar brasileiro. Um exemplo seria o número de assassinatos por dia no Brasil: 143
Isso dá 25 assassinatos para cada cem mil habitantes, contra, por comparação, o índice alemão de 0,8. Acima de 10, a OMS considera epidemia e aqui temos quase o triplo do índice epidêmico de assassinatos.
Isso dá 25 assassinatos para cada cem mil habitantes, contra, por comparação, o índice alemão de 0,8
Note que estamos falando de homicídio doloso. Se formos criar uma tabela com assassinatos, sequestros, roubos, explosão de caixas eletrônicos, estupros e incêndios criminosos em ônibus e matas, teríamos que contratar uma equipe de matemáticos.
Somos um velho oeste, uma vergonha… um cenário de guerra civil que todos já se acostumaram e, por isso, se surpreendem e acham terrível quando um atentado terrorista mata uma centena de pessoas na França, como se já não tivéssemos isso aqui diariamente.
Aliás, no Brasil não é terrorismo. Não querem que seja. Pois assim podemos culpar o sistema e a sociedade por criarem criminosos como esses, que merecem ser tratados com dignidade e respeito, afinal eles são as vítimas.
A lei que institui o terrorismo como crime no Brasil possui adversários ferrenhos. Por quê? Provavelmente para assim podermos falar que no Brasil não tem terrorismo, que somos a terra da paz, do futebol e do carnaval.
Mas no fim do dia, o que vemos é um país onde, todos os que tem condições, compram carros blindados e, os que não tem, dirigem mais neuróticos do que os motoristas na Síria. Vivemos enjaulados por grades e cercas elétricas, com medo a todo momento. A vizinhança de favelas fecha escolas e comércio por ordem dos bandidos e crianças são usadas como soldados do crime de forma tão banal que nos tira também o direito de nos surpreender com as guerras civis na África.
Se isso não é terrorismo, talvez tenhamos um problema de semântica aqui. Mas só, pois o conceito é o mesmo.
E assim a notícia do atentado em Paris é a que ocupa todas as páginas dos periódicos.
Não adianta criticar os jornais. Eles noticiam o que vende. E se está vendendo bastante é porque o povo está comprando. Portando larguemos de hipocrisia e não vamos condenar os caçadores de tragédias por fazerem tão ampla cobertura dos atentados em Paris.
O que devemos criticar é o fato de o brasileiro estar tão acostumado com o terrorismo dentro de seu próprio país que já não o enxerga mais. E assim se surpreende com a barbárie do Estado Islâmico, que mata menos que nossos próprios bandidos o fazem nessa terra.
#prayformariana #prayforminas #prayforespiritosanto #prayforbrasil… e ah: #prayforparis
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