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Áudio

O Legado Grego

Christian Gurtner 15/08/2015 520


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A mitologia, a história, a política e os costumes. Um pouco sobre a cultura que chegou até nós.

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Esse episódio faz parte dos fantásticos podcasts mais antigos do Escriba Cafe que, por questões de direitos autorais, não estão disponíveis para download nem pelo feed, Spotify, etc, (nem mesmo pelo player fixo no site) sendo possível ouví-los somente pelo player no respectivo post.


TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO

(As transcrições dos episódios são publicadas diretamente do roteiro, sem revisão, podendo haver ainda erros ortográficos/gramaticais e, assim, pedimos que marquem os erros e deixem uma nota para que possamos corrigí-los)

Ler a transcrição completa do episódio

No princípio havia somente o Caos. Caos era o deus da confusão e da desordem. E além dele, nada mais havia.

Até que surgiram Érebo e Nix, os deuses da escuridão e da noite. E surgiu também Gaia, a deusa mãe, a deusa terra e, junto com ela, surgiu Tártaro, que era um deus que personificava o escuro abismo que ficava abaixo de Gaia.

Surge, então, o Amor, deus essencial para toda a criação. Ele cria a ordem e embebe os outros com amor. E esse deus une Érebo e Nix, que copulam e geram Éter, a luz celestial, e Dia, a luz terrena.

De Gaia, nasce Urano, o deus céu. Ele desposa Gaia e a envolve completamente. Juntos eles geram os Titãs, os Ciclopes e os Hecatônquiros.

O Titã Cronos, inciou uma revolta contra seu Pai, Urano, depois que o mesmo prendeu os ciclopes e Hecatônquiros no Tártaro. E assim, vencida a batalha, Cronos destrona seu pai e é elegido pelos outros titãs como o Rei dos Deuses.

Cronos voltou a prender os ciclopes e hecatônquiros no tártaro. Ele fora advertido por uma profecia que, da mesma forma que destronou seu pai, um de seus filhos iria destroná-lo. Cronos, então, passou a devorar todos seus filhos que nasciam de sua esposa, Réia.

Cronos engoliu Hera, Deméter, Héstia, Hades e Poseidon. Mas quando o último filho nasceu, Réia o escondeu, cansada de ver seus filhos recém nascidos serem devorados pelo pai. Ela, então, deu uma pedra à Cronos, fingindo ser o filho recém nascido.

O filho preservado cresceu ocultamente e, quando já estava aldulto, decidiu por destronar seu pai, assim como a profecia dizia. Esse filho era Zeus.

Zeus contou com a ajuda da titânida Métis, deusa da prudência, que enganou Cronos e lhe deu uma poção que o fez vomitar todos os irmãos engolidos de Zeus, que se aliaram a ele em sua batalha, junto com os ciclopes e hecatônquiros, que foram libertados pela liga de Zeus. Com esses poderosos aliados, começa, então, a Titanomaquia, a famosa Guerra de Titãs.

Do lado de Zeus, estavam seus irmãos, seus tios ciclopes e hecatônquiros, Métis, Estige, seus filhos e Prometeu, o filho de Jápeto. Equanto, por outro lado, Cronos contava com a ajuda de outros titãs.

Após 10 anos de batalhas, Zeus vence a guerra e expulsa Cronos e seus Titãs do céu.

Com a vitória, Zeus se tornou o soberano dos deuses, e, do Monte Olimpo, governava todo o universo.

Essa é o Gênese da mitologia grega. As inúmeras estórias, lendas e personagens que compõe essa mitologia, influenciaram e, até hoje, influenciam a humanidade. E esse fato nos faz retroceder nossos pensamentos à Grécia Antiga, o berço de quase todos nossos costumes, culturas e da sociedade ocidental.

323 a.C.

Morre Alexandre, o Grande. Sua morte é o marco para o início do declínio da Grécia antiga. Após sua morte, seus generais disputaram o trono e nenhum conseguiu reunir todo o império sob seu domínio, o que causou sua divisão.

Em 168 a.C. A macedônia é conquistada pelos romanos e, pouco depois, toda as regiões Grécia antiga.

Os Romanos dominaram os gregos militarmente, mas a cultura grega dominou os romanos, e os estados que vieram depois de Roma e assim por diante, até os dias de hoje.

Mas que cultura é essa que sobreviveu até hoje, que dominou mesmo aqueles que dominaram os estados gregos? O legado grego nada mais é do que o início de tudo que somos hoje. Conceitos como cidadania e democracia vieram dos gregos.

Atenas era a mais avançada cidade grega, e ali a educação era primordial, onde, até nos meios mais pobres, se encontravam homens alfabetizados.

As ciência, a filosofia, as formas e estruturas das cidades, a política, os costumes, a arte e muitas outras criações gregas sobreviveram ao tempo e moldaram o mundo ocidental. E porque não a religião grega? Muitos aspectos dela podem ser encontrados nitidamente em várias outras religiões dos dias de hoje.

Os deuses gregos tinham, em geral, comportamentos e pensamentos humanos, e também os defeitos, como inveja, ódio, injustiça, ambição e traição. Por isso surge a necessidade de um deus que seja deus dos deuses. Mas na Grécia antiga, mesmo esse deus supremo, não era tão perfeito. Com esses aspectos, os deuses se tornavam mais próximos de seus súditos que, por sua vez, compreendiam melhor seus deuses e sabiam lidar com eles.

Os deuses gregos também se relacionavam fisicamente com os humanos e geravam filhos, chamados de semi-deuses. Esses semi-deuses constituem boa parte da mitologia grega. Suas histórias heróicas marcaram o mundo. Uma das lendas que reúne boa parte desses personagens é a viagem dos Argonautas.

Na praia de Pégasas, 50 heróis se apresentaram dianto do barco construído por Argos, o mestre carpinteiro.

Eles estavam ali porque Jasão, ao se tornar adulto, foi reclamar de seu tio o trono de sua pátria na Tressália. Contudo, seu tio disse que só lhe passaria o trono se ele trouxesse o Tosão de Ouro. O tosão era uma lã dourada retirada de um carneiro divino e que há muito tempo estava com o Rei Aetes, na longíqua terra de Cólquis. Jasão aceitou o desafio e ordenou que bravos guerreiros fossem convidados a participar da jornada.

Ouvindo falar da audaciosa façanha que estava para acontecer, esses 50 heróis, querendo eternizar seus nomes, se voluntariaram para a missão.

Dentre esses heróis, estavam Hércules e seu discípulo Hilas, Peleu, o pai de Aquiles, Orfeu e outros. Todos subiram a bordo da nau, que recebeu o nome de seu construtor: Argos. E os heróis que ali embarcaram, ficaram conhecidos como Argonautas. As velas foram içadas e iniciou-se a épica jornada.

A Nau Argos seguiu em direção ao Mar Negro. E passou por várias aventuras e perigos. Atracaram numa ilha onde só havia mulheres, e então engravidaram-nas para nascerem homens; enfrentaram monstros e perigosas rochas movediças. Hércules e Polifemo abandonaram a jornada para procurar Hilas que fora afogado pelas ninfas em Mísia e, depois de muitas outras dificultades, os demais Argonautas chegaram até o seu destino, onde conseguiram pegar o Tosão de Ouro com ajuda de Medéia, a filha do Rei Aetes, que traiu seu pai para ajudar Jasão, e fugiu com ele tornando-se sua esposa.

As aventuras dos argonautas abrange longas e detalhadas passagens que acabam por se bifurcar em várias outras lendas da mitologia. Essas histórias foram contadas por Apolonio de Rodes, na obra “Argonáutica”, dividida em 4 livros. Além de Apolônio, outros poetas também transcreveram as passagens.

E assim se eternizou a fantástica lenda dos argonautas.

Será que existiu uma jornada verdadeira por trás dessa lenda, assim como acontece com várias lendas nas mais diversas partes do mundo?

Algo interessante, também, é como os nomes e significados de personagens, deuses e lugares da mitologia grega estão amplamente infiltrados no nosso cotidiano de hoje e, muitas vezes, nem percebemos.

A droga morfina, por exemplo, recebeu esse nome em alusão ao deus Morfeu, que era o deus dos sonhos.

Outro exemplo é a Hipnose, com que vem de Hipnos, o deus do sono. Podemos citar também Afrodisíaco, relativo às Afrodite, a deusa da beleza e do amor.

São várias palavras e denominações da mitologia grega que usamos hoje. Há também expressões e ditados que remontam lendas das mitologia, como a expressão “Toque de Midas”. Midas foi um personagem da mitologia que tinha o poder de transformar tudo o que tocava em ouro.

Há também “flechadas de amor” que provém do mesmo deus que vem a palavra “Erotismo”. Erotismo vem de Eros, que era o deus do amor, filho de Afrodite, e que conhecemos hoje pelo nome romano Cupido.

Mas o legado grego vai mais além. Uma das principais heranças gregas foi os moldes primordiais de nossa política e sociedade: a democracia.

Quando Atenas fundou sua nova forma de governo, instituiu como base a igualdade de todos os cidadãos. Todos tinham igualdade perante a lei, e o direito à se pronunciar na assembléia, ou seja: direito à palavra. O objetivo era a participação de todos os cidadãos nos assuntos políticos.

A democracia ateniense, apesar de compor a base para nossa democracia moderna, possuía muitos aspectos diferentes da nossa. Um exemplo disso era como os governantes eram eleitos. Não se usava votos e sim sorteios. E não era somente um governante, eram sorteados, ao todo, 500 cidadãos distribuídos pelas diversas comunidades e regiões para governar por aproximadamente 35 dias, até que novo sorteio era feito.

Além disso, constantemente se relizavam Eclesias. Eclesias eram assembléias gerais onde todos os cidadãos eram convocados para debater questões públicas.

A noção de um governo dirigido diretamente pelo povo, era tão importante para os atenienses, que o cidadão que não participasse das questões políticas era criticado e chamado de idiota.

Outro fator da democracia grega era a definição de cidadão. Eram considerados cidadãos os maiores de 18 anos, que haviam prestado serviço militar e não devessem nada ao estado. Estrangeiros e escravos não eram considerados cidadãos.

A obrigatoriedade do serviço militar parece ter chegado também a nossa democracia de hoje.

Bônus — Trecho da viagem dos argonautas que foi cortado do podcast

Os heróis fizeram sua primeira parada de recomposição na ilha de Lemnos, onde só existiam mulheres. Isso se deve ao fato de que a deusa Afrodite, furiosa com as mulheres dessa ilha por se negarem a cultuá-la, castigou-as com um fedor insuportável, o que fez com que seus maridos fosse procurar favores sexuais das escravas da região de Trácia. As fétidas esposas, com ódio dos maridos, os assassinaram, fazendo com que só restasse mulheres na ilha. Com a chegada dos argonautas, a história mudou, eles engravidaram todas as mulheres de Lemnos e partiram no dia seguinte.

Continuando a viagem e depois de várias outras paradas, chegaram em Mísia para passar a noite. Lá, Hilas, o jovem discípulo de Hércules, saiu em busca de água fresca, e ao encontrar uma fonte, da água saíram belas ninfas que o seduziram e o arrastaram para a água até ele afogar.

Ao perceber que o discípulo não retornava, Hércules, junto com o herói Polifemo, saíram em busca de Hilas. Ao amanhecer, Hércules se recusava a parar as buscas junto com Polifemo, e então a nau Argo partiu com três tripulantes a menos.

Depois de enfrentarem vários perigos e batalhas, os argonautas chegaram ao seu destino.

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