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Áudio

A Expedição de Shackleton

Christian Gurtner 26/09/2016 120 1


Background
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Embarque a bordo do Endurance e conheça uma das mais incríveis e assustadoras expedições já realizadas.


FICHA TÉCNICA

Pesquisa, roteiro e produção: Christian Gurtner


PATRONOS

Esse episódio foi possível graças ao apoio de Júlia Costa, Tiago de Assis Gonçalves, Wilson Harada, Rafael de Carvalho, Pacífico Fernandes, Murilo Rebouças Aranha, Daniel Arruda, Elsino Silva, Roberto Potenza, Francisco Menezes

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LINKS CITADOS


TRILHA SONORA

  • Jade — ALXD
  • Evening Melodrama — Kevin MacLeod
  • Scheming Weasel — Kevin MacLeod
  • The Reveal — Kevin MacLeod
  • Last Stand — Purple Planet Music
  • Epic Trailer Music — ALXD
  • Sneaky Snitch — Kevin MacLeod
  • Folk Round — Kevin MacLeod
  • Sierra Nevada — Purple Planet Music
  • Ofelia’s Dream — Ben Sound
  • Pepper’s Theme — Kevin MacLeod
  • Arcane — Kevin MacLeod
  • Volatile Reaction — Kevin MacLeod
  • Thunder Dreams — Kevin MacLeod
  • Journey of a Lifetime — ALXD
  • Fictum — ALXD
  • Interstellar — Ross Bugden
  • Parallel — Ross Bugden

BIBLIOGRAFIA

KODAK: The endurance. Disponível em: <https://www.kodak.com/US/en/corp/features/endurance/>. Acesso em: 24 jul. 2016.

LANSING, A. A incrível viagem de Shackleton. Rio de Janeiro: Sextante, 2004.

NOVA. Documentary on the endurance, 31 maio 2014. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=oyQRHHHXntc>. Acesso em: 24 jul. 2016

Shackleton’s voyage of Endurance. Disponível em: <http://www.pbs.org/wgbh/nova/shackleton/1914/timeline.html>. Acesso em: 24 jul. 2016.

TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO

(As transcrições dos episódios são publicadas diretamente do roteiro, sem revisão, podendo haver ainda erros ortográficos/gramaticais e, assim, pedimos que marquem os erros e deixem uma nota para que possamos corrigí-los)

Ler a transcrição completa do episódio

Ernest Henry Shackleton

A porta do escritório de Sir James Caird fechou-se logo após a entrada daquela figura de ombros largos, queixo forte e voz grossa que estava ali para pedir ajuda financeira para uma expedição. Tratava-se de Sir Ernest Henry Shackleton.

Não havia muito tempo, em 1907, Shackleton fora recebido como herói na Inglaterra após retornar de sua arriscada expedição ao Polo Sul. Mas aquela não tinha sido sua primeira aventura pelo continente gelado.

Ernest começou sua vida como homem do mar aos 16 anos, quando ingressou na marinha mercante e gradativamente era promovido. Em 1901 ele participou da Expedição Discovery, comandada por Robert Falcon Scott, a qual chegou até a Antártida, a 1198 quilômetros do Polo Sul.

A era das grandes e épicas expedições estava chegando ao fim. Todos os continentes já haviam sido explorados. O Polo Sul era, talvez, a última porta a ser aberta pelos grandes navegadores e certamente um corrida estava acontecendo para se chegar lá primeiro.

Em 1907 uma nova expedição, dessa vez comandada pelo próprio Shackleton, quase venceu essa corrida, chegando a meros 158 quilômetros do Polo Sul, mas teve que retornar por falta de alimentos.

Ele sabia que não teria tempo de organizar outra expedição a tempo de continuar na corrida.

E ele estava certo. Em 1911 o norueguês Amundsen chega ao Polo Sul.

Porém, a essa altura, Shackleton já estava idealizando uma outra e mais complexa aventura na Antártida. Ele planejava cruzar todo o continente — a pé.

Mas, primeiro, teria que chegar até lá e, para isso, precisava de um navio capaz de aguentar os inúmeros e pesados blocos de gelo que flutuavam por toda a parte na região. Precisava também de equipamentos caros e uma tripulação. Tudo isso custaria uma pequena fortuna e, assim, ali estava Shackleton, depois de receber vários “nãos”, explicando seus planos para James Caird na tentativa de receber uma doação. Dizem que Shackleton pediu somente 50 libras para ele, mas James ficara tão empolgado que lhe dera 24.000 libras.

Além de James Caird, nos dois anos que passara em busca de financiamento, Shackleton recebera também generosas doações de Dudley Docker, da Srta. Janet Stancomb-Wills e também do governo britânico, além de inúmeras pequenas doações de pessoas de todas as partes do mundo.

Ernest Shackleton podia, finalmente, dar prosseguimento àquela que fora considerada por muitos uma ideia exageradamente audaciosa.

O Endurance

Shackleton comprou um navio de um magnata que havia mandado construir a embarcação para levar expedições de caça de ursos para a Antártida, mas que, depois de seu sócio abandonar o projeto, resolveu vender o navio.

Inicialmente batizado de Polaris, ao ser comprado por Shackleton, passou a se chamar Endurance, que significa “resistência” em inglês.

Endurance era um bergantim de três mastros, que parecia ser a fronteira entre o passado e o futuro, que, apesar de ser um clássico navio a velas, possuía também motores a vapor de suporte. Ele fora construído sob medida para enfrentar as inóspitas águas que cercavam o continente antártico. A autoria da construção era de um famoso estaleiro norueguês, que percebia que com os novos tempos chegando, aquele, talvez, seria o último navio do tipo que construiriam e, por isso, se dedicaram ao máximo para fazer o melhor navio possível para enfrentar a Antártida. E conseguiram. Quando foi lançado ao mar, no final de 1912, o Endurance era o navio de madeira mais forte que a Noruega produziu.

A Tripulação

O navio havia sido escolhido com cuidado. Porém ao chegar na hora da seleção da tripulação, os métodos para a escolha eram, no mínimo, estranhos.

Para os postos mais altos, Shackleton convidou antigos colegas de expedições passadas, como seu grande amigo Frank Wild, o qual Shackleton admirava pela competência e lealdade e que ficou com o posto de subcomandante na expedição.

Para segundo e terceiro pilotos, foram chamados respectivamente o irlandês Thomas Crean e Alfred Cheetham.

O desenhista chamado foi o notável George Marston.

Dentre os marinheiros, somente um era veterano ao lado de Shackleton: tratava-se de Thomas McLeod.

Todos esses veteranos, eram competentes e experientes na Antártida. Mas a seleção de Shackleton começa a ficar estranha quando ele inicia as entrevistas com novatos para os demais postos da tripulação.

Bastava ele gostar da aparência ou do jeito de algum entrevistado, que ele estava contratado. E vice-versa.

Para o posto de Meteorologista, por exemplo, ele escolheu Leonard Hussey, que não entendia patavinas do assunto, mas Shackleton o achou “engraçado”.

O físico Reginald James foi contratado por saber cantar um pouco e o Dr. Alexander Macklin foi contratado como médico depois de responder uma pergunta de Shackleton de forma divertida.

As entrevistas nunca duravam mais de 5 minutos. E para quem via de fora e achava aquilo uma irresponsabilidade, acabava por se impressionar quando via que o instinto de Shackleton quase nunca falhava na escolha da tripulação. Leonard Hussey, por exemplo, após ser contratado, fez um curso intensivo de meteorologia e se mostrou um excelente profissional durante a expedição.

Os demais contratados para completar a tripulação foram:

O comandante Frank Worsley, o primeiro piloto Lionel Greenstreet, o navegador Hubert T. Hudson, o primeiro maquinista Louis Rickenson, o segundo maquinista A. J. Kerr, o outro médico Dr. James A. McIlroy, o geólogo James M. Wordie, o Biólogo Robert S. Clark, o notável fotógrafo James Francis (Frank) Hurley, o especialista em motores Thomas H. Orde-Lees, os carpinteiros Harry McNeish, Charles J. Green, os marinheiros Walter How, William Bakewell, Timothy McCarthy, John Vincent e os foguistas Ernest Holness e William Stevenson.

Preparativos finais

No início do ano de 1914 os preparativos para a expedição já estavam quase concluídos, e os meses seguintes foram dedicados a compra de diversos equipamentos, como trenós especiais para serem puxados por cães e barracas criadas exclusivamente para a expedição.

Tudo ia como planejado, e parecia que a viagem do Endurance finalmente teria início.

Porém, no final de julho de 1914, quando estão prestes a iniciar a viagem, a situação na Europa não estava boa.

A sequência de eventos e declarações de guerra após o assassinato do arquiduque Ferdinando da Áustria colocou em risco a expedição. Principalmente quando, no dia em que o Rei George V entregou a Union Jack, que era o nome da bandeira do Reino Unido, à Shackleton — para ser levada na expedição — nesse mesmo dia a Inglaterra declarava guerra à Alemanha.

Shackleton vive então um dilema: seria muito ruim abrir mão da expedição, mas seria igualmente terrível partir enquanto seu país estava em guerra.

Assim, após levar o assunto aos investidores, bem como à sua tripulação, e ouvir a opinião de todos, Shackleton finalmente decide colocar toda a expedição à disposição do governo.

No entanto, a resposta do governo, através de um telegrama foi: “prossiga”. E outro telegrama mais longo foi enviado em seguida por Winston Churchill, afirmando que era de interesse do governo que a expedição fosse levada adiante.

Estava, então, tudo pronto para o início daquela, que foi intitulada por Shackleton de A Expedição Imperial Transantártica.

A Expedição Imperial Transantártica

8 de agosto de 1914

O Endurance zarpa do porto de Plymouth com destino à Buenos Aires enquanto Shackleton e Wild ficaram na Inglaterra para resolver pequenos detalhes antes de pegar carona em um outro navio para, posteriormente, encontrar com os demais membros da expedição na Argentina.

A viagem do Endurance pelo Atlântico durou dois meses até aportar em Buenos Aires e serviu como o primeiro teste da embarcação, que, além de robusta, era bela e imponente, atraindo olhares enquanto estava ancorada na capital argentina.

Shackleton e Wild chegaram pouco depois e já foram apresentados aos problemas. O cozinheiro se mostrara indisciplinado durante toda a viagem, subiu a bordo completamente bêbado. Foi demitido na hora. Em seu lugar fora contratado um homem chamado Charles Green, e que era o oposto de seu antecessor.

Outro problema que se dera com a tripulação foi a briga de dois marinheiros com o primeiro piloto Greenstreet depois de uma noite de bebedeira.

Os marinheiros foram demitidos e foi decidido que não precisariam contratar mais dois marinheiros, necessitando somente de mais um.

Assim foi contratado o canadense William Bakewell, de 26 anos, pediu também um emprego temporário para um outro jovem de 18 anos, chamado Perce Blackboro, que foi aceito como assistente de cozinha pelo tempo em que o Endurance estivesse ancorado em Buenos Aires.

Completou-se a tripulação quando chegaram também a bordo o renomado fotógrafo Frank Hurley e os 69 cães de trenó vindos do Canadá, que seriam peça fundamental na travessia do continente Antártico.

Tudo estava pronto. Às 10:30 da manhã do dia 26 de outubro de 1914 o Endurance zarpa de Buenos Aires com destino à uma das mais épicas aventuras marítimas da história.

Geórgia do Sul

O Endurance estava então a caminho da remota ilha da Geórgia do Sul, onde havia um pequeno posto de caça baleeira, sendo o local mais próximo da Antártida onde poderiam ainda reabastecer.

Shackleton se viu aliviado por a expedição finalmente ter início. Era um grande sonho sendo realizado e colocaria seu nome do hall da fama dos exploradores. E de fato isso ia acontecer, mas não pelos motivos que ele imaginava.

Quando o Endurance havia se afastado o suficiente do continente a ponto de ser inviável voltar por qualquer motivo, Bakewell, How e McLeod resolveram revelar algo que traziam escondido: um passageiro clandestino. Tratava-se de Blackboro, amigo de Bakewell, que era para ter desembarcado pouco antes de zarparem de Buenos Aires.

Sem se incriminarem, deixaram o clandestino ser descoberto por Wild que o arrastou até o convés para apresentá-lo a Shackleton.

Dizem que quando Shackleton se enfurecia, não havia ninguém mais terrível no mundo. E assim todos assistiram o jovem ser aniquilado pelos berros de Shackleton, que no auge de sua fúria, parou, olhou para o rapaz de 18 anos que o encarava com olhos arregalados e esbravejou: “E mais uma coisa: Se ficarmos sem comida e alguém tiver que ser comido, você vai ser o primeiro. Entendeu?”

Poucos conseguiram segurar o riso, inclusive Blackboro, que fora, então, alocado para ajudar Green na cozinha.

No dia 5 de novembro de 1914 o Endurance chega a Geórgia do Sul.

A chegada de um navio como aquele na ilha era um grande acontecimento para os poucos baleeiros que trabalhavam naquele gelado posto de pesca.

Fizeram banquetes para os tripulantes e se mostraram muito interessados na expedição, já que conheciam bem os perigos e problemas que Shackleton poderia enfrentar naquela jornada. E o chefe da Expedição Imperial Transantártica absorveu todo o conhecimento que pôde daqueles experientes navegadores da região.

O plano de Shackleton para a expedição era de zarpar da Geórgia do Sul em direção ao mar de Weddel, traiçoeiro e com inúmeros blocos de gelo que flutuavam e se aglomeravam pela região. Desembarcaria com 14 homens no continente Antártico. Desses, seis, sob o comando de Shackleton, partiriam com os cães e equipamentos necessários para cruzar o continente por terra, enquanto os demais estudariam aquela área inexplorada da Antártida. Ao chegar ao outro lado do continente, Shackleton seria resgatado pelo navio Aurora.

Assim, no dia 5 de dezembro de 1914, o Endurance zarpa da Geórgia do Sul com destino à Antártida.

O Mar de Weddell

Após deixar a Georgia do Sul, o Endurance rumou para leste, paralelo à Antártida. Isso porque Shackleton queria evitar as enormes banquisas de gelo do Mar de Weddell, aproveitando a correnteza que teria levado boa parte do gelo.

Na meia noite do dia 11 de dezembro eles finalmente encontram uma passagem pelo gelo e conseguem virar para o sul. Era verão na Antártida, o que significava que havia 24 horas de claridade por dia, deixando a navegação mais eficiente.

No entanto, o gelo deixava a viagem muito mais lenta, obrigando o Endurance a desviar de grandes blocos ou simplesmente atropelar os menores, deixando alguns dos tripulantes assustados. Muitas vezes o navio parava por completo para esperar o gelo se abrir e assim conseguir passagem.

Apesar da dificuldade e das preocupações, muitas vezes eram surpreendidos por espetáculos da natureza, protagonizados por imensas baleias azuis, orcas, albatrozes gigantes, focas diversas, penguins imperadores e diversos outros animais que vez ou outra davam vida àquela região tão inóspita.

O natal fora comemorado a bordo com um banquete e música, tocada no violino de uma só corda que Hussey, o meteorologista, havia construído.

Após o ano novo, os primeiros dias de 1915 se mostraram preocupantes, o navio estava cercado por inúmeras banquisas antigas e firmes de gelo. Vez ou outra passavam por enormes icebergs. Até que no dia 9 de janeiro se viram livres do gelo, com um grande trecho de mar aberto à frente. O alívio foi geral. Navegaram à toda velocidade nesse trecho livre.

Estavam a 650 quilômetros a nordestes de seu destino, a Baía de Vahsel, para onde conseguiram aproar e cinco dias depois diminuir a distância para 320 quilômetros.

Mas os dias que estavam por vir não seriam tão agradáveis.

A prisão de gelo

Na segunda quinzena de janeiro, o gelo começou a cercar o Endurance até que o prendeu.

A tripulação passou a trabalhar em turnos para tentar quebrar o gelo e liberar o navio. Até mesmo o frágil cozinheiro participou da empreitada. Mas o enorme esforço humano se mostrou inútil, o Endurance estava preso em uma gigantesca camada sólida de gelo. E somente um vendaval para separar as banquisas e liberar o navio.

Em 24 de fevereiro Shackleton percebeu que não havia como libertar o navio.

Ordenou que se apagassem as caldeiras e que parassem os turnos de quebra de gelo, mantendo somente turnos de sentinelas para alertar a tripulação em caso de perigo ou caso o gelo se abrisse.

O bloco de gelo chegou a levar o Endurance para menos de 100 quilômetros da Baía de Vahsel, o que era tentador para percorrer esse trecho a pé sobre os bancos de gelo, porém Shackleton sabia que o risco não valia a pena.

O gelo seguiu para oeste, se afastando da Baía. E quando o sol se pôs pela primeira vez desde que partiram da Georgia do Sul, perceberam que a maior preocupação de todos se tornara realidade: teriam que passar o inverno antártico a bordo de um navio à deriva preso em um bloco de gelo que se perdia de vista.

A noite polar

O autor Alfred Lansing, em seu livro sobre a expedição, escreveu:

“Em todo o mundo, não há desolação mais completa que a da noite polar. É uma volta à Idade do Gelo — sem calor, sem vida, sem movimento. Só quem já passou por isso pode avaliar plenamente o que significa ficar sem o sol semanas a fio. Poucos homens desacostumados são capazes de combater os efeitos dessa provação, e ela já levou muitas pessoas à loucura.”

Shackleton não parou a rotina diária no Endurance, mantendo todos ocupados. Porém não havia muito o que fazer e acabava sobrando muito tempo livre.

Nos poucos dias que retavam de claridade, aproveitaram para caçar focas e estocar a maior quantidade possível de carne e gordura.

Os cães foram movidos para a banquisa de gelo, onde ganharam iglus para se alojarem e assim liberar mais espaço no convés do Endurance, que agora parecia mais uma estação.

Com o passar de abril dificilmente ainda se achava algum animal para caçar e a luz era cada vez mais rara, até que em maio começa a noite polar.

Apesar do clima propício à melancolia, os homens fizeram de tudo para se manter ocupados e entretidos.

Cantavam, jogavam e até mesmo uma corrida de trenós foi organizada quando um dos responsáveis por uma junta de cães desafiou o outro.

A natureza também fez sua parte. A lua, quando surgia, pairava por dias no céu em um grande espetáculo. E as aurora australis também embelezavam algumas noites.

Em 22 de junho uma grande festa foi realizada para comemorar o solstício de inverno, com direito até a um palco improvisado e apresentações música e hilárias tentativas de apresentações teatrais.

Todo o empenho da tripulação estava funcionando. Metade do inverno já tinha passado e toda essa rotina ajudava a esquecer que fazia 25 graus negativos em uma escuridão sem fim.

Desembarque forçado

Apesar de conseguirem se manter com a moral realtivamente boa, era durante a noite que suas cabeças as vezes se enchiam com preocupações, tendo como trilha sonora os aterrorizantes sons do navio sendo comprimido pelo gelo.

Com o inverno chegando ao fim, o que antes era somente barulho agora se tornara graves ataques ao casco do navio quando o gelo se soltava para logo se comprimir novamente contra a embarcação.

No final de agosto o Endurance já havia sido levado para longe da Baía de Vahsel seguindo a noroeste sobrevivendo a dois grandes ataques de pressão do gelo.

O mês de setembro não foi muito melhor. A moral começava a se abalar. Já havia meses que não comiam carne fresca e não havia nenhum sinal de animais para caçar. O desolamento era grande.

No entando a claridade já representava 10 horas diárias, e a temperatura aumentava gradativamente, chegando a 17 graus negativos, o que para aqueles homens, era praticamente um dia de praia.

Não demorou muito para que a base de toda a vida marinha começasse a surgir: plâncton.

Não demorou para que surgisse penguins e focas, que foram caçados e quase completamente aproveitados.

O início de outubro foi marcado por mais um ataque ao Endurance que derrubou equipamentos e empenou diversas estruturas do navio.

O Endurance já havia resistido aos ataques como nenhum outro navio resistiria, mas não podiam esperar que ele aguentasse para sempre.

No dia 16 Shackleton decidiu que era hora de ligar as caldeiras e tentar abrir o caminho no gelo a força sem muito sucesso, até que no dia 24 a maior onda de pressão atacou o navio, fazendo a água invadir a embarcação.

As caldeiras foram novamente acesas e a tripulação começou a ser revezar em turnos para bombear para fora a água que entrava no navio. As bombas pararam de funcionar quando suas tubulações congelaram o que gerou um trabalho sem fim da tripulação para salvar o navio. Os homens se arrastavam para suas camas quando terminavam seus turnos para descansar por alguns minutos.

Para se previnir, Shackleton ordenou que os barcos salva vidas fossem baixados juntos com todos os equipamentos e mantimentos essenciais e fosse colocados na banquisa mais firme.

Os homens não conseguiam mais bombear a água para fora do navio e várias vigas começaram a se partir com a pressão. Não havia mais nada que pudessem fazer e, assim, no dia 27 de outubro ás 5 horas da tarde, Shackleton dá a ordem para abandonarem o navio.

O Naufrágio

Toda a tripulação estava exausta, mas estranhamente aliviada por toda o loucura das últimas horas ter acabado e eles finalmente terem saído do navio. Todos estavam aliviados, menos uma pessoa: Ernest Shackleton.

Ele sabia que sua expedição fora encerrada e agora iniciaria uma difícil luta pela sobrevivência.

Shackleton planeja então iniciar uma marcha de 500 quilômetros até a a ilha Paulet, onde sabia haver mantimentos de uma expedição passada. A tripulação se animou por haver finalmente um objetivo, porém após três dias de marcha e muito pouco percorrido devido a dificuldade de caminhar no gelo, se decepcionam com a notícia de que Shackleton considerou a marcha um desperdício de energia e que o melhor seria esperar.

Ergueram um acampamento que chamaram de Acampamento Oceânico e Shackleton deu ordens para que buscassem no que restava do Endurance todo equipamento e madeira que pudessem ser aproveitados.

Os três barcos salva vidas seriam levados com eles até eles conseguirem encontrar mar aberto e navegar para terrra firme. E isso seria um desafio, já que qualquer pequeno gelo flutuante poderia afundar aqueles barcos.

Shackleton batizou as embarcações com os nomes dos principais investidores da expedição. Assim a baleeira foi batizada de James Caird; o escaler nº 1 passou a se chamar Dudley Docker, e o nº 2, Stancomb Wills.

Não havia porém, muito o que fazer além de ficar a deriva naquele bloco de gelo até que tivessem a sorte de o mesmo o levar para mais próximo da terra.

Depois de um mês acampados no bloco de gelo, no dia 21 de novembro, ouvindo Shackleton dizer “Ela está partindo, rapazes”, toda a tripulação, em silêncio, viu o Endurance, que tanto resistiu, dando razão ao seu nome, afundar para as profundezes antárticas.

Gelo, gelo, gelo

A provação durante os meses que se passaram era sem fim. Estavam sempre com frio, com as roupas e sacos de dormir constantemente enxarcados. Mal perceberam que o natal havia passado em branco, e o ano novo foi registrado em alguns diários como perguntas sobre o que lhes aguardava em 1916.

O racionamento de mantimentos tinha que ser seguido à risca ou morreriam de fome. A caça estava escassa e aproveitavam tudo que podiam caçar e por vezes até se divertiam para amenizar o estado de espírito.

Um grande jogo de cintura de Shackleton fora necessário para evitar um motim. Distribuiu os tripulantes pelas tendas de acordo com suas compatibilidades e jamais deixava aqueles que tendiam a criar problemas longe de seus olhos.

A tripulação passou a se conhecer melhor e cada um já sabia o que esperar do outro. Já conheciam os pontos fortes e fracos de cada um e toda noite contavam casos e cantavam, até que os casos e as músicas já estivessem se repetindo.

Os livros que foram levados também eram lidos repetidamente.

Pratos quentes eram servidos de vez em quando, usando a gordura de foca como combustível para acender o fogão, o que deixava os rostos de todos gradativamente escuros com a fuligem e gordura. Posteriormente devido à escassez de comida, a gordura também passou a fazer parte do cardápio, o que dava arrepios aos que comiam.

Apesar de toda tentativa de manter a moral alta, isso estava ficando muito difícil. Estavam em um lugar onde tudo queria matá-los: o frio, a fome, a loucura e até mesmo os animais, como certa vez, Orde-Lees, voltando de uma caça, vê surgir, repentinamente, uma cabeça da água, que logo se mostrou um leopardo-marinho, que pulou sobre o gelo e começou a perseguir o especialista em motores.

Do acampamento, todos puderam ouvir o homem gritar para pegarem a carabina enquanto corria o máximo que podia daquele enorme animal que o estava quase alcançando.

O leopardo viu então Wild surgir com a carabina e foi em sua direção para atacá-lo. Wild precisou dar vários tiros até que o animal finalmente tombou a somente dez metros dele.

Após o desespero, ficaram alegres pois aquele predador renderia bastante carne e gordura.

Mas além de todos os problemas, havia também a monotonia. Não havia muito o que se fazer por ali. E eles precisavam sobreviver.

No final de janeiro de 1916 os ânimos se acaloraram quando começou a rodar o boato de que Shackleton iria abater os cães para diminuir o consumo de alimentos.

A essa altura, a banquisa em que estavam acampados já havia derretido muito, tornando-se perigosa. Mudaram o acampamento para 150 metros adiante e o batizaram de Acampamento Paciência.

Mas mesmo essa distração não fez os homens esquecerem o boato. Até que Shackleton finalmente confirmou e deu a ordem para que os cães fosse abatidos, marcando aquele como talvez, um dos dias mais tristes daqueles meses. A maioria dos homens registrou sua revolta em seus diários. Tinham criado muita estima pelos animais. Mas no fundo, todos sabiam que não poderiam alimentar os cães por muito mais tempo.

Eles foram abatidos um a um, sobrando somente alguns que ainda seriam usados para buscar o material restante no Acamapamento Oceânico mas que posteriormente foram abatidos também. A carne dos cães fora servida, o que, apesar de tudo, agradou os homems comer algo que não tinha gosto de peixe

Mas a escassez de alimentos ia e vinha. Continuaram sua rotina de marchar para se aproximar do mar aberto, acampar, e evitar os locais onde o gelo pudesse se partir. Até que foram forçados a adiantar os planos.

Navegar é preciso

O Capitão Worsley passava horas procurando avistar terra e sempre medindo sua posição com seu sextante. Estavam derivando para noroeste e chegar a ilha Paulet parecia cada dia menos provável.

O piloto Greenstreet escreveu em seu diário:

“Dia após dia, com muito pouco, ou nada, para aliviar a monotonia. Damos várias voltas correndo em torno da banquisa, fazendo exercícios, mas ninguém pode ir muito longe, porque para todos os efeitos estamos numa ilha. Não há praticamente nada de novo para ler e nada para falar, todos os assuntos já estão quase esgotados… Nunca pensei qual é o dia da semana, menos quando é domingo, porque aos domingos comemos fígado de pingüim com bacon no desjejum, e é a melhor refeição da semana, mas logo não vou mais saber quando é domingo, porque o bacon já está acabando. O gelo em volta de nós está mais ou menos igual ao modo como esteve nos últimos quatro ou cinco meses, e com as temperaturas baixas que temos tido à noite, i. e., menos de 18 abaixo de zero, os trechos de mar aberto ficam cobertos de gelo novo, que nem serve para andar e nem dá passagem para os barcos. A minha opinião é de que as chances de chegar à ilha Paulet são de mais ou menos uma em dez…”

Em março de 1916, a situação estava já deplorável. A comida estava praticamente no fim e não havia muita esperança de encontrarem o mar aberto. Mas algo precisava ser feito. Os homens começaram a ficar preocupados.

Assim, no início de abril, a banquisa em que estavam começou a se partir. Não havia mais para onde ir Shackleton notou que havia água para navegar. Era extremamente arriscado, porém, continuar na banquisa era morte certa.

Os três barcos foram colocados na água e em pouco tempo todos já estavam embarcados e remando apressadamente para se afastar do gelo que rapidamente se fechou após a passagem deles.

Assim, naquele 9 de abril de 1916, após 4 meses no gelo, a tripulação finalmente estava navegando. Porém a tensão era grande. Precisavam evitar ao máximo o choque com pedaços gelo e vez ou outra se assustavam com o barulho da batida do gelo.

Foram vários dias de esperança misturada com desespero. Continuaram navegando para noroeste, na expectativa de alcançar a terra firme.

Navegar naquela região era algo terrível, não havia registro sobre o comportamento das correntes e do vento e pouco a nenhum estudo havia ainda sido feito por ali. Navegavam em águas perigosas e tinham que se virar.

Intercalavam a navegação com acampamentos sobre banquisas e muitas vezes tinham que descer os barcos rapidamente quando o vento mudava de direção ou a banquisa rachava.

Até que em uma noite desesperadora, embarcados há 48 horas sem beber água, todos com a aparência horrível e desesperançosa, viram seus peitos se encherem de força quando os primeiros raios de luz surgiam no horizonte. Num silêncio apreensivo, todos viram surgir, próximo a eles, os grandes rochedos da ilha Elephant!

Elephant Island

Depois da alegria, começa o sufoco para navegar até a ilha sem despedaçar o barco nos rochedos.

A essa altura os pés do jovem clandestino Blackboro já estavam pretos e muitos diziam que ele já os tinha perdido.

Shackleton tentava animar o rapaz, dizendo que ninguém nunca havia pisado na ilha Elephant e que ele seria o primeiro a descer e se tornaria o primeiro homem na história a andar na ilha.

Shackleton estimava que chegariam na ilha no dia seguinte.

E assim, no dia 15 de abril de 1916, pela primeira vez em mais de um ano e meio Shackleton e seus homens finalmente chegam em terra firme.

Era uma ilha isolada, gelada, inóspita, com ventos fortíssimos e um mar muito agitado. Estava longe de ser a salvação deles, mas naquele momento, tudo isso pouco importava. Estavam eufóricos por finalmente estarem pisando em terra.

Dois dias depois eles haviam mudado o acampamento para o outro lado da ilha, que representava menos riscos.

Agora era hora de Shackleton planejar seus próximos passos. Sabia que era quase impossível de serem resgatados ali já que não era a rota de nenhum navio e muito provavelmente ninguém os estava procurando, pois a essa altura eles já haviam sido declarados mortos.

Nos dias que se passaram, Shackleton discutiu ideias e elaborou planos, até que no dia 20 de abril tornou pública sua decisão: ele e mais 5 homens iriam embarcar no James Caird e navegar até a ilha da Geórgia do Sul.

A viagem era quase suicida, já que navegar um barco como James Caird por 1.500 km em um mar revolto e com blocos de gelo era loucura. No entanto era a única opção de sobrevivência daqueles homens.

O James Caird foi adaptado usando a madeira dos outros barcos e tudo preparado para a longa viagem. Chegando na Geórgia do Sul, Shackleton alertaria as autoridades para iniciarem o resgate do restante da tripulação que permaneceria da Ilha Elephant.

Mesmo contra todas as probabilidades negativas, os homens ainda conseguiam ter esperanças.

South Georgia

No dia 24 de abril, em um tudo ou nada, o James Caird parte da ilha Elefante sob os olhares de todos os homens que ficaram na ilha.

A bordo estavam Shackleton, Frank Worsley, Crean, McNeish, Vincent e McCarthy. Worsley era indispensável para a navegação, enquanto os demais, foram escolhidos por serem os que tinham mais chance de causar problemas no acampamento. Assim, Shackleton resolveu levá-los para evitar contratempos.

Os homens que ficaram, observaram o horizonte até o James Cairddesaparecer. Começaria ali uma espera que ora era esperançosa, ora desanimadora.

O frio e a ventania torturava os habitantes do pequeno e esfumaçado barracão construído com lona das barracas e madeira dos barcos.

Com o preocupante passar dos dias, tentaram a todo o custo manter os ânimos, com jogos e conversas triviais, mas no fundo, estavam desesperançosos. Orde-Lees escreveu em seu diário:

“Estamos inevitavelmente ansiosos em torno do destino de Sir Ernest. Nós nos perguntamos como terá sido a viagem, como ele estará agora e por que ainda não conseguiu vir nos resgatar. Mas esse tema é praticamente tabu; cada um guarda seus pensamentos para si, ninguém sabe exatamente o que os outros pensam a respeito e é bastante óbvio que ninguém ousa dizer o que realmente pensa.”

Shackleton ainda estava vivo. A viagem estava sendo terrivelmente penosa. O mar parecia quere matá-los a todo custo. O frio e o desconforto impedia os tripulantes de dormir. Se revezavam no descanço, na pequena vela, no leme e na quebra de gelo.

Muitas vezes pensaram que iriam morrer durante os vendavais, tempestades e ondes gigantes.

O James Caird, se despedaçava, e provavelmente não aguentaria por muito mais tempo. A água potável havia sido contaminada pela água do mar e pra piorar, temiam ser levados para nordesde, onde sabiam que dificilmente chegariam em terra.

Mas a maestria com que Worsley navegava e a total dedicação dos demais, os fez, de acordo com os cálculos dele, estarem bem próximos da Geórgia do Sul.

Duas semanas haviam se passado e eles agora só se preocupavam em tentar avistar terra. E avistaram. Era a ilha da Geórgia do Sul.

Não sabiam se ficavam eufóricos de alegria ou se ficavam preocupados com a tormenta das águas que estavam prestes a jogá-los contra os rochedos.

Estavam em uma parte da ilha em que era quase impossível chegar ao outro lado, onde se encontrava o posto de pesca, portanto precisavam circular a ilha. Mas o mar e o vento não deixavam.

O barco fora atingido por vagas que o quebraram. A água entrava por diversos pontos.

Milagrosamente não atingiram as rochas e ilhotas que haviam antes da Geórgia do Sul. Mas o barco estava muito danificado e precisavam chegar a ilha o mais rápido possível.

Às 17h do dia 10 de maio de 1916, contra todas probabilidades, os homens pisaram em terra.

Estavam tão cansados que não conseguiram nem ficar eufóricos, mas trocaram apertos de mãos.

A travessia

Eles haviam chegado à ilha. Mas estavam longe de estarem seguros. Era preciso chegar ao outro lado da ilha, porém o James Caird não aguentaria nem o começo da viagem. Shackleton decide então fazer o que ninguém nunca havia feito: atravessar a ilha por terra.

Porém, havia um motivo para ninguém nunca ter feito aquela travessia: era impossível.

Os altos picos, gelos e pedras afiados e um tortuoso conjunto de grandes rochas, eram realmente um impedimento.

Mas novamente Shackleton não tinha escolha. Era aquilo ou nada.

O plano de Shackleton era levar Worsley e Crean com ele para a travessia enquanto os demais ficariam acampados aguardando o resgate.

Improvisaram equipamentos para a escalada e no dia 19 de maio partiram.

Caminharam e escalaram com muita dificuldade. Por vezes eram surpreendidos por barreiras que os obrigava a voltar e a morte os aguardava a cada passo.

Estavam caminhando sem parar há 36 horas, exaustos. Às 6:30 da manhã, enquanto preparavam o café da manhã ouviram um apito. Definitivamente era um apito. Aquele era o horário de início de trabalho na estação baleeira. Estavam próximos. Nunca imaginariam que um apito de uma fábrica seria um som tão emocionante.

Com muita dificuldade desceram o último trecho do pico chegaram então à estação. Depois de quase dois anos, naquele 20 de maio de 1916, estavam diante de traços de civilização. Estavam sujos, cabelos e barbas enormes, os rostos impregnados de gordura e as roupas em farrapos.

Aquela cena chamou a atenção dos trabalhadores. Como e de onde haviam surgido aquelas estranhas figuras?

Quando Shackleton se apresentou ao gerente da estação, todos arregalaram os olhos como se olhassem para fantasmas.

O resgate

Os três homens tomaram banho, se barbearam e cortaram os cabelos. Mal se reconheciam. Estavam finalmente bem alimentados e descançados, mas ainda precisavam resgatar os demais.

Dois dias depois navegaram com destino à ilha Elephant, mas foram bloqueados por gelo e precisaram voltar.

Em 10 de junho conseguiram uma embarcação maior com o governo uruguaio, mas novamente não conseguiram chegar próximo à ilha.

No dia 12 de julho tentam novamente com uma embarcação inglesa mas novamente foram impedidos pelo gelo.

Tentaram mais uma vez no dia 25 de agosto, com um navio chileno, e finalmente no dia 30 consegue chegar à ilha Elephant.

Depois de dois anos, Shackleton consegue levar toda atripulação do Endurance viva para casa.

O impossível

Shackleton e seus homens passaram por provações que poucas pessoas nesse mundo poderiam imaginar. E ninguém consegue entender como conseguiram ficar vivos

A sobrevivência no gelo foi um milagre. A viagem no James Caird para a Geórgia do Sul foi uma conquista extremamente improvável e a travessia da ilha era considerada impossível.

Inclusive, essa travessia foi novamente tentada somente 40 anos depois por uma equipe de exploração que, mesmo com equipamentos modernos e mantimentos e roupas suficientes, disseram que a travessia de 15 kilômetros possuía um grau de dificuldade incomparável.

Uma homenagem fora feita a Shackleton, o comparando com outros exploradores com as seguintes palavras:

“Para a liderança científica, o melhor é Scott; para viajar depressa e com eficiência, Amundsen; mas quando você está numa situação perdida, quando parece que não há mais saída, ponha-se de joelhos e peça a Deus que seu chefe seja Shackleton”

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