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Áudio

A Mansão Winchester

Christian Gurtner 16/11/2015 261 1


Background
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A misteriosa mansão construída por uma pessoa mais misteriosa ainda.


Uma da únicas fotos de Sarah Winchester

FICHA TÉCNICA

Pesquisa, roteiro e produção: Christian Gurtner


PATRONOS

Esse episódio foi possível graças ao apoio de Soraya Pfeiffer, Ramon Mineiro, Raphael Dos Santos Maia, Genício Zanetti, Raphael Santana, Silton, Heleno, Maciel Júnior, Guilherme Reis, Francisco Menezes, Mauro Lacerda Rogerio_AA, Fulvius, Gabriel, Roberto Potenza, Munique Vieira, Miguel Grazziotin, Jonatas Dutra

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Uma das misteriosas escadas da mansão

LINKS CITADOS


TRILHA SONORA

  • Quinn’s Song — Kevin MacLeod
  • Classic Horror — Kevin MacLeod
  • Aftermath — Kevin MacLeod
  • Ghost Story — Kevin MacLeod
  • Return of Lazarus — Kevin MacLeod
  • Earnest — Kevin MacLeod
  • Return of Lazarus — Kevin MacLeod
  • Ghostpocalypse — Kevin MacLeod
  • Haunted — Ross Bugden
  • Reawakening — Kevin MacLeod
  • Wounded — Kevin MacLeod
  • Interstellar — Ross Bugden
  • The Escalation — Kevin MacLeod
  • Unseen Horrors — Kevin MacLeod
  • The House of Leaves — Kevin MacLeod
  • Scheming Weasel Faster — Kevin MacLeod
  • Op. 69 No. 1 — Frédéric Chopin
A mansão nos dias de hoje

BIBLIOGRAFIA

The Top 10 Lies About the Winchester Mystery House | California Home + Design. (n.d.). Retrieved November 13, 2015, from http://www.californiahomedesign.com/house-tours/top-10-lies-about-winchester-mystery-house/slide/8952

Sarah Winchester. (n.d.). Retrieved October 25, 2015, from http://www.winchestermysteryhouse.com

Ignoffo, M. Jo. (2012). Captive of the Labyrinth: Sarah L. Winchester, Heiress to the Rifle Fortune. Columbia: University of Missouri.

TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO

(As transcrições dos episódios são publicadas diretamente do roteiro, sem revisão, podendo haver ainda erros ortográficos/gramaticais e, assim, pedimos que marquem os erros e deixem uma nota para que possamos corrigí-los)

Ler a transcrição completa do episódio

18 de abril de 1906. 5:12 da manhã.

Um grave terremoto atinge a bahia de San Franciso, nos Estados unidos.

Uma estranha casa em Santa Clara Valley sente os tremores, sendo danificada em algumas partes. A dona da casa ficara presa num dos quartos. Todos sabiam que ela estava na residência, mas levou-se horas para encontrá-la. Isso porque os funcionários precisaram vencer labirintos e procurar pelos mais de 160 cômodos algum sinal da mulher que entrou para o hall dos mais bizarros mistérios: Sarah Winchester.

Sarah e os Winchesters

Nascida em 1840, Sarah Lockwood Pardee teve uma excelente educação e ainda jovem já falava quatro idiomas tocava piano com excelência. Somando-se isso à sua reconhecida beleza, não demorou para que ela chamasse a atenção de William Wirt Winchester, filho do fabricante de armas Oliver Winchester.

Os Winchesters tinham visto sua riqueza aumentar ainda mais quando passaram a produzir o Rifle de Repetição Winchester, que ficou conhecido como a “Arma que dominou o oeste”. Sua capacidade de fogo era incrível para a época, já que bastava um simples movimento com uma das mão para que outro tiro pudesse ser dado.

Em 1862 Sarah se casa com William e passa a se chamar Sarah Winchester. O casal tinha uma vida feliz em New England, onde tiveram uma filha chamada Annie.

A Tragédia

Em 1866, ainda criança, Annie desenvolve uma misteriosa doença e morre.

Junto com Annie, morria também a felicidade de Sarah, que entrou numa depressão que, se houvesse qualquer chance de passar, só piorou, quando, quinze anos depois seu marido morre prematuramente de tuberculose.

A partir daqui, a história e a lenda se misturam, pois os fatos tornam-se tão bizarros, que fica difícil saber o que realmente aconteceu.

O Médium

Conta-se que, ao ficar sozinha diante de tal tragédia, Sarah procurou um médium.

Ele lhe explicou que sua família e fortuna eram assombrados por espíritos de nativos americanos, soldados da guerra civil e praticamente todos que também haviam sido mortos pelos rifles Winchester, e que Sarah seria a próxima vítima desses espíritos.

A única saída para evitar essa maldição, seria se mudar para o oeste e construir uma casa para os espíritos. A construção jamais deveria parar, pois, enquanto as obras estivessem em andamento, Sarah estaria salva.

A Casa

Em 1884 a Senhora Winchester encontra o local perfeito em Santa Clara Valley, na Califórnia. Ela compra uma casa semi-construída para continuar suas obras e fazer ali a sua mansão.

Contratou marceneiros e construtores lhes pagando o dobro do ganhariam em qualquer outro lugar, bem como jardineiros e empregados. Seu dinheiro vindo da empresa Winchester, era praticamente ilimitado.

As obras começaram quase que imediatamente e nunca mais terminaram. 24 horas por dia, 7 dias por semana se ouvia os martelos e serras dos trabalhadores, que não paravam nem para os feriados.

As notícias começaram a correr pelas redondezas sobre o que acontecia dentro da casa. Quartos eram construídos para depois serem destruídos e refeitos. Alguns eram simplesmente selados para nunca mais serem vistos.

A informação de que a casa era construída por ordens de espíritos deixou a população local mais curiosa ainda, fazendo com que Sarah ordenasse a criação de uma enorme cerca viva impedindo os curiosos de bisbilhotar pelos arredores.

De fato, Sarah havia construído um salão para sessões espíritas, chamado Salão Azul, onde toda noite ela entrava para, supostamente, receber as instruções dos mortos sobre os planos de construção da casa, e, no dia seguinte entregava esses planos para o mestre de obras.

Sarah era reclusa e só falava com poucos funcionários, sendo que todos os outros tinham ordens de evitar sequer olhar para ela e, em eterno luto, ela sempre usava um véu negro que cobria seu rosto.

Conta-se que uma criada, certa vez, entrou por engano num dos inúmeros quartos da casa e se deparou com Sarah. Ela então foi demitida.

E não era difícil entrar em quartos errados na casa. Sarah acreditava que haviam ali bons e maus espíritos. E enquanto ela deveria construir quartos e oferecer luxos para os espíritos bons, ela também deveria se precaver dos espíritos maus. Assim a casa era construída de forma estranha, com escadas que não davam em lugar nenhum, inúmeras passagens secretas e corredores ocultos, portas que, ao se abrir, davam para uma parede, escadas que desciam para de repente começar a subir novamente e quartos que eram construídos e logo em seguida selados ou simplesmente destruídos.

Tudo isso tinha como objetivo confundir e aprisionar espíritos maus que estivessem seguindo Sarah pela casa. E para evitar ser atacada durante a noite por algum espírito que a aguardava, ela raramente dormia no mesmo quarto duas noites seguidas.

Os Espíritos

Vizinhos diziam ouvir todas as noites, às 2h da manhã um sino tocar na mansão. Aquela, supostamente, era a hora de chegada e partida dos espíritos e, provavelmente, nessa hora Sarah estaria no Salão Azul para se comunicar com os mortos.

Durante a noite a aparência da casa era mais fantasmagórica ainda. Os criados tinha sempre a sensação de estarem sendo observados. E não se podia saber se era por espíritos ou pela própria Sarah, que tinha projetado a casa para que ninguém a visse mas que ela pudesse ver todos.

A sua constante batalha contra os espíritos maus, somada à sua necessidade de agradar os espíritos benignos a faziam mudar constantemente o projeto da casa, construindo e derrubando quartos, que chegou a ter ao todo, mais 600 cômodos.

Em 1906, um terremoto em San Francisco chacoalhou a mansão. Sarah interpretou aquilo como um aviso dos espíritos de que ela estava passando muito tempo na parte da frente da casa, mandando, assim, selar todos os cômodos daquele setor.

Mais um fantasma

No dia 5 de setembro de 1922 Sarah Winchester é encontrada morta. Ela havia falecido durante a noite vítima de uma parada cardíaca. Junto com seu coração, parou também, depois de décadas os sons de obras na casa.

Sarah foi enterrada em Connecticut ao lado de seu marido e sua fortuna foi deixada para seus sobrinhos e sobrinhas. Boa parte também foi para seus funcionários mais leais e uma enorme soma para Clínica Winchester, que tratava pacientes com tuberculose.

A mansão, no dia em que Sarah morreu, contava com 160 quartos, 2.000 portas, 10.000 janelas, 47 escadas, 47 lareiras, 13 banheiros e 6 cozinhas.

Em seu testamento, ela deixou todos os móveis, jóias e bens pessoais para sua sobrinha Marian Merriman Marriot, que rapidamente vendeu tudo.

Seis caminhões trabalhando por seis semanas foram necessários para retirar todos os móveis da casa.

Conta-se que os trabalhadores dos caminhões, precisavam marcar com giz os quartos pelos quais já haviam passado para não se perderem e saberem por onde já haviam passado.

Apesar da excentricidade e reclusão, Sarah tinha um bom coração. Depois que ela chegou na cidade, muitas casas de caridade e orfanatos da região passaram a receber grandes doações anônimas.

Fantasmas?

Não existem muitos casos de aparições ou eventos sobrenaturais na casa na época em que Sarah estava viva. Porém, depois de sua morte várias pessoas que cuidavam da casa ou a visitavam passaram a relatar casos estranhos, como sons bizarros, vozes e até mesmo aparições fantasmagóricas.

Ou essas pessoas eram oportunistas para chamar a atenção ou a casa passou a ser assombrada após a morte de Sarah, por ela mesma.

A casa foi estudada e analisada por médiuns, pesquisadores de eventos sobrenaturais e outros tipos de hippies. Cada qual confirmando a presença de espíritos na mansão.

E hoje é exatamente isso que mantém a casa. Visitantes pagam ingressos para visitar a bizarra construção de Sarah Winchester, seja pela curiosidade sobrenatural ou pelo interesse em arquitetura, a casa é um prato cheio de beleza, estranheza e mistério.

O mistério

Vários mistérios ainda prevalecem. Existe algum outro motivo para Sarah gastar tanto tempo erguendo e destruindo cômodos para criar uma casa exageradamente grande e confusa? Muitos dizem que a casa nada mais era do que um excêntrico hobby para que a senhora Winchester pudesse se distrair evitando a depressão.

Além dos motivos, existem também os mistérios de cômodos que até hoje nunca foram encontrados, como a adega com inúmeras garrafas de vinho que seriam consideradas hoje tesouros, e que Sarah selou certa vez por achar que estava amaldiçoada. Ninguém jamais viu a adega ou os vinhos.

Sarah não deixou nenhum diário, anotação ou fotografia. Seus funcionários, por medo de espíritos ou por lealdade à sua antiga empregadora nunca confirmaram ou negaram qualquer caso ou lenda que passou a circular sobre a casa ou sobre a própria Sarah. Ficando assim o caso da misteriosa mansão Winchester algo quase inexplicável.

Fim

Início

Assim como a mansão Winchester, assim é esse episódio. O início no fim e o fim no início. Tudo isso para espantar espíritos, ou quem sabe, deixar os supersticiosos partirem felizes enquanto os céticos permanecem desconfiados sobre o que ouviram até agora.

Até agora.

O Circo

O caso de Sarah Winchester seria uma interessante história de terror. No entanto, é provável que a maior parte de toda essa história seja ficção, ou melhor, marketing.

Para entender isso, basta voltarmos à época da morte de Sarah. A mansão foi posteriormente comprada por uma família que atuava no mercado de circos e, desde então, passou a ser utilizada comercialmente como atração turística.

O lucrativo negócio dura até os dias de hoje, onde milhares de pessoas de todas as partes do mundo pagam caros ingressos para fazer uma visita guiada pela estranha casa mal assombrada.

Não fosse por todas as histórias misteriosas e sobrenaturais que rondam a Mansão Winchester, ela seria somente uma curiosa peça arquitetônica. Portanto, se você tem um negócio que atrai clientes atrás de mistério e fantasmas, nada melhor do que criar histórias de mistério e fantasmas em torno de seu produto. Um exemplo relativamente recente de marketing desse tipo foi o filme a Bruxa de Blair, onde as pessoas foram correndo ao cinema ver o filme que era vendido como filmagens reais de caso assustador. Genial, porém, ainda sim ficção.

As mentiras

Uma historiadora local, chamada Mary Jo Ignoffo, depois de anos de pesquisa, publicou um livro chamado, em livre tradução, Cativa do Labirinto.

Nesse livro ela conta a história de Sarah e da mansão Winchester baseada em documentos, cartas e pesquisa aprofundada sobre o caso. O marketing da mansão é colocado então em cheque.

A revista California Home Design junto com Mary Jo, publicou um artigo listando as maiores mentiras sobre o caso. Vamos conhecer algumas delas.

1. As obras na casa nunca paravam: cartas da própria Sarah comprovam que isso é falso. Os trabalhadores tinham folgas e às vezes eram dispensados por meses, parando os obras na casa.

2. Escadas que não davam em lugar nenhum, portas que se abriam para paredes e vários outros detalhes arquitetônicos na casa eram usados para confundir os espíritos: aqui temos uma meia verdade. Essas esquisitices arquitetônicas realmente existem na casa, porém com uma explicação menos excêntrica: o terremoto de 1906 havia danificado bastante casa, destruindo algumas estruturas. Ela não quis concertar por completo, somente selando alguns cômodos destruídos e tapando alguns buracos. Assim surgem as estranhas escadas e portas.

3. As sessões espíritas no secreto salão azul. Talvez uma das partes da casa mais procuradas pelos turistas, porém, uma provável fraude. Não há evidências de que Sarah realizasse sessões espíritas e ao que tudo indica, o famoso Salão Azul foi construído somente depois de sua morte.

4. Após a morte de Sarah, nenhum funcionário confirmou ou desmentiu os boatos que rondavam a mansão e a própria Sarah. Na verdade vários vizinhos e funcionários tentaram sim contar sobre a interessante e boa pessoa que era Sarah Winchester, porém, não era esse tipo de história que novos proprietários da mansão queriam ouvir.

A verdade

Nem todos os boatos foram criados pelos novos proprietários comerciais da casa. Alguns já existiam desde a época em que Sarah estava viva. Porém, os novos donos poliram os boatos, criaram outras histórias e evitaram a verdade, transformando a casa numa verdadeira atração de circo.

Os primeiros boatos surgiram simplesmente porque Sarah realmente era uma pessoa reclusa. Não tanto quanto prega a ficção, mas o suficiente para que, somando ao tamanho da casa que era construída, as pessoas da região começassem a criar teorias.

Mas muitos conheciam Sarah e tentaram mostrar como ela ajudou muitas pessoas e instituições de caridade, como ela comprou casas para seus funcionários que manteve por décadas — e vários batizaram suas filhas de Sarah.

No final, algumas mentiras sobre Sarah e a Casa puderam ser desmentidas, outras ficaram no ar. Mas desconfiem de todas as coisas estranhas que lerem e ouvirem sobre a Mansão Winchester — ou sobre qualquer outro assunto estranho também. Pesquisem antes de acreditar em qualquer coisa.

O fato é que o marketing da Winchester Mystery House, após anos, conseguiu fazer a verdade se tornar extremamente difícil de ser encontrada.

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