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Áudio

UFO S.A.

Christian Gurtner 16/09/2015 568


Background
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Você quer acreditar?

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Esse episódio faz parte dos fantásticos podcasts mais antigos do Escriba Cafe que, por questões de direitos autorais, não estão disponíveis para download nem pelo feed, Spotify, etc, (nem mesmo pelo player fixo no site) sendo possível ouví-los somente pelo player no respectivo post.


FICHA TÉCNICA

Roteiro, produção e narração: Christian Gurtner

Participação especial: Kentaro Mori


BIBLIOGRAFIA


TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO

(As transcrições dos episódios são publicadas diretamente do roteiro, sem revisão, podendo haver ainda erros ortográficos/gramaticais e, assim, pedimos que marquem os erros e deixem uma nota para que possamos corrigí-los)

Ler a transcrição completa do episódio

Aliens na Lua

[Áudio Apollo 11]

Isso foi a comunicação da Apollo 11 com a base em Houston, onde percebe-se que os astronautas, ao pisarem na Lua, encontraram algo inacreditável, mas foram logo cortados pelo comando da missão que ordenou que se trocasse de frequência e iniciassem a comunicação em código.

A comunicação secreta entre Houston e Apollo 11 foi captada por radioamadores com antenas especiais e assim divulgada ao mundo.

Essa gravação foi exibida por um documentário italiano e, desde então, percorreu os quatro cantos do mundo, sendo fortemente divulgada por revistas e outros meios de comunicação especializados em ufologia, tentando provar que a chegada do homem à Lua foi acompanhada por extra-terrestres.

Com uma gravação dessas, não há o que discutir. Existem, sim, extra terrestres nos observando. A verdade vem sendo escondida de nós. E no final, a pura verdade, é que, talvez, todos nós sejamos aliens. Mas vivemos num pedra, chamada Terra, onde os poderosos querem todo o conhecimento, riqueza e poder. Contudo, talvez nem eles mesmos tenham acesso à toda verdade.

“Somos somente visitantes nessa pedra. Arremessados pelo espaço a 66.000 milhas por hora. Presos numa esfera em chamas por uma força invisível e um universo insondável”

A verdade está lá fora.

Salyut-6

União Soviética, 29 de setembro de 1977

Élançada ao espaço a estação espacial Salyut-6, que proporcionou aos soviéticos a primeira missão de longa duração no espaço, permanecendo em órbita até 1982.

Em 1978, a tripulação presente na estação avistou algo estranho. Uma suposta transcrição da conversa de um dos cosmonautas com o controle da missão, apresentada pela piloto soviética Marina Popovich, contém uma mensagem que o tripulante da estação Vladimir Kovalenok enviou ao controle da missão

“Aqui está a informação para vocês pensarem. A direita, num ângulo de 30 graus, há um objeto voando sob nós. ”

Em 1981, outro estranho avistamento foi feito pela nova tripulação da Salyut-6. O National Enquirer noticiou o fato, fazendo com que ufologistas do munto inteiro ficassem eufóricos.

O artigo contou que o objeto voador não identificado acompanhou a órbita da estação por vários dias, e, vez ou outra fazia manobras impossíveis. Tratava-se de um objeto redondo, como uma bola, mais ou menos a forma que fora descrita pela tripulação de 1978. Depois de alguns dias, esse objeto se aproximou de forma que a tripulação conseguiu ver que havia pessoas dentro os observando. Pareciam um pouco com humanos.

Os soviéticos, através das escotilhas, tentaram se comunicar por sinais e foram respondidos.

Contudo, o fato mais impressionante, foi uma gravação entre um dos astronautas e o controle da missão. O cosmonauta estava olhando para a nave não identificada e seus estranhos tripulantes, quando entrou em contato com o controle da missão para falar o que estava vendo. Antes de chegar a resposta da base, ele recebeu uma mensagem, repetindo o que ele tinha dito, como se fosse uma forma de os alienígenas se comunicarem, já que não podiam entender nem falar russo.

Houve uma grande reunião emergencial em Moscou para lidar com esse caso, que permaneceu abafado.

Eu quero acreditar

Para quem não quer investigar, basta a crença para que essa história se torne quase uma prova incontestável de várias teorias de conspiração.

Mas para os que querem acreditar somente diante de provas, é preciso, primeiro, duvidar.

Há muitos anos que temos acompanhado relatos e teorias fantásticas sobre OVNIs, alienígenas, conspirações, abduções e, até mesmo invasões extra-terrestres misturadas com conspirações Iluminatti para dominar o mundo.

São tantas lendas e casos que testemunhas juram serem reais, que o seriado Arquivo X teve material de sobra para ficar anos no ar, inclusive muitos engodos rodam na internet usando imagens do próprio Arquivo-X como verídicas.

Forma-se, assim, um círculo vicioso que fica cada vez mais recheado. Lendas alimentam a ficção que alimenta mais lendas.

Com a internet, todos os engodos e mentiras, acabam circulando mais rápido e crescendo infinitamente. E muitos acabam acreditando.

O que realmente aconteceu de tão estranho assim quando o homem chegou à Lua? O que significa aquela comunicação de rádio entre os astronautas da Apollo 11 e Houston? A resposta para as duas perguntas é só uma: nada!

Um primeiro de abril cósmico

Não é raro a ficção e alguns embustes serem interpretados como verdade pelos desatentos. Um bom exemplo foi o receio de alguns cidadão americanos ao ligarem o rádio e ouvirem a leitura de Guerra dos Mundos, em 1938 — alguns dizem que foi um pânico generalizado, mas há controvérsias.

Um efeito parecido foi causado por um sério programa científico, chamado Science Report, que, em seu último episódio, fez um brincadeira de primeiro de abril com os telespectadores, exibindo a comunicação que ouvimos no início do podcast.

O problema é que não se tratava de Aliens, a história fictícia relatava uma colônia instalada na Lua.

Mesmo o programa de TV deixando claro que era uma brincadeira de primeiro de abril, muitos engoliram a história e alguns resolveram explorá-la.

Um programa de TV italiano fez uma reportagem passando a notícia como verdadeira, e ainda uniu o áudio montado ao áudio original da comunicação da Apollo 11 para dar mais veracidade ao caso. O resultado disso, hoje, são milhares de websites e meios de comunicação duvidosos causando desinformação com essa falsa notícia.

Auto-promoção através da mentira

O caso da Salyut-6 não fica de fora. As fontes dessa lenda estão em tablóides sensacionalistas, como o National Enquirer, que noticiou no ocidente o suposto contato de segundo grau.

Quem passou essa notícia ao tablóide foi um jornalista controverso que pregava ter contatos fortes e confiáveis no Kremlin.

Mas e a gravação da conversa entre a Salyut-6 e o comando da missão, com interferência alien que ouvimos?

Podemos explicar de várias formas, como por exemplo, feedback de áudio. Mas a melhor forma de explicar é que o áudio é uma fraude. Eu que fiz. Mas contextualizando esse embuste numa matéria que quer se passar por séria, muitos esquecem as centenas de explicações plausíveis e impressionam-se com o “fator alien”. Esse é o problema.

Você quer acreditar?

Então pense antes em duvidar, pois enquanto houver crentes, haverá pessoas tentando se auto-promover e até lucrar com a vontade de acreditar dos outros.

E, tratando-se de OVNIs, o Brasil não fica pra trás. Quem explica é Kentaro Mori, editor do site Ceticismo Aberto

[Áudio Kentaro Mori]

O que realmente aconteceu?

Mesmo assim, é bom deixar claro que não estamos livres de mistérios reais e ainda inexplicados.

Os cosmonautas mencionados no caso da Salyut-6 desmentiram o suposto contato que fizeram com aliens, mas houve de fato um avistamento.

Numa entrevista, Vladimir Kovalyonok, um dos astronautas que participaram da missão disse:

“O caso de que você me pergunta aconteceu em 5 de maio de 1981, por volta das 6 horas da tarde, durante a missão Salyut. … Eu havia acabado de fazer exercícios de ginástica, quanto vi em minha frente, pela portinhola, um objeto que não podia explicar. O objeto tinha o tamanho de um dedo. Fiquei surpreso em ver que era um objeto em órbita. Éimpossível determinar o tamanho e distância de um objeto no espaço, por isso não posso dizer que tamanho de fato tinha. Savinikh se preparou para capturar uma foto dele, mas o OVNI subitamente explodiu. Apenas nuvens de fumaça sobraram. O objeto se dividiu em duas peças interligadas, lembrando um peso de ginástica”.

As inúmeras lendas e histórias fraudulentas que também rondam a chegada do homem à Lua, também tem seu fundo de verdade.

O astronauta Buzz Aldrin, confirma que eles avistaram um objeto não identificado enquanto estavam em órbita. Mas não podiam passar essa informação por rádio, pois milhares de americanos acompanhavam as transmissões e seria irresponsável criar pânico por algo incerto. A única coisa que fizeram foi perguntar a Houston onde se encontrava o S-IVB, o último estágio do foguete que havia se desacoplado dois dias antes. Com a resposta recebida, eliminaram a possibilidade de ser o foguete que estavam vendo, mas, mesmo assim, podia ser qualquer outra coisa.

Até uma nave Alien? Por que não? Mas diante de tantas outras possibilidades, por que escolher essa antes das mais plausíveis?

Muitas teorias, pouca evidência

Vários casos de OVNIs ficaram famosos, destacando-se o de Roswell.

[Áudio Kentaro Mori]

Ilusão coletiva

O termo Disco Voador não surgiu depois de um avistamento. Os avistamentos que surgiram depois do erro de um jornalista.

Em 1947 um piloto chamado Kenneth Arnold, alegou ter visto um grupo de OVNIs sobre Mount Ranier a velocidades inimagináveis. Não tinham forma de disco, e sim lembravam uma gaivota.

No entanto, o jornalista que o entrevistou, perguntou como os objetos voavam e Arnold respondeu que eles voavam de forma irregular, como quando se joga um disco sobre a água.

Arnold não estava explicando a forma dos objetos, e sim como eles voavam. Mas o jornalista se enganou e passou a notícia para os Estados Unidos referindo-se a discos voadores.

Pouco tempo depois, várias pessoas passaram a relatar avistamentos de discos voadores.

Ou é uma inacreditável coincidência ou os aliens resolveram mudar todo seu conceito de engenharia aeroespacial e mudaram a forma de suas naves para não deixar o jornalista cair no erro.

Ou será que a expressão “disco voador” ficou guardada no subconsciente dos mais impressionáveis?

Nosso cérebro é programado diariamente com várias informações. Basta presenciarmos algo que não conseguimos explicar que logo nosso cérebro procura em seu catálogo de imagens, formas e lembranças algo para preencher aquilo.

Éclaro que isso não elimina a possibilidade de naves extra terrestres estarem nos visitando, mas já dá uma pista de o porquê de existir tantos relatos de discos voadores.

Até mesmo os mais céticos aceitam a idéia de civilizações extra-terrenas. Mas se estamos sendo visitados, por enquanto, depende só da crença.

O mercado ufológico

Do mesmo jeito que as igrejas e o comércio angariam fundos vendendo bíblias e outros artigos religiosos, muitos ufólogos com pouca metodologia científica faturam milhões de dólares todos os anos vendendo desinformação e boatos, seja em revistas, livros ou vídeos.

Muitos casos de UFOs já desmistificados com provas, ainda são vendidos em meios de comunicação como verdade, e muitas pessoas gastam dinheiro com isso.

Vários ufólogos mais sérios já afirmaram que, dentre os inúmeros relatos de avistamentos ou contatos com aliens, são muito raros aqueles que realmente podem ser classificados como “mistérios reais”, e que até hoje não existem provas sobre isso.

Não há nada de errado em acreditar na existência de aliens ou até mesmo na possibilidade de que eles nos visitam. O que nos prejudica, no quesito pesquisa, é acreditar em qualquer caso que nos contam. Antes de acreditar, vamos pesquisar.

Dentre vários pequenos relatos mais convincentes, os que as pessoas mais acreditaram e mais se popularizaram foram os mais absurdos. Se queremos levar o assunto a sério, primeiro vamos limpar o pouco a sujeira de nossas memórias conhecendo a linha do tempo da ufologia moderna com alguns os “acontecimentos” mais famosos, tirando todas as falsas provas e evidências e deixando somente a explicação neutra do que aconteceu:

Caso 1–1947 — Cai um disco voador no deserto do Arizona, ficando conhecido como “Caso Roswell”

Explicação: Não há nenhuma evidência de que foi uma nave alienígena que caiu no deserto. O que temos de mais palpável são algumas fotos publicadas em jornais da época que mostram pedaços do que parecia ser um balão meteorológico. Mais tarde o governo afirmou ser um mesmo um balão experimental secreto.

Caso 2–1952 — Um americano, de nome George Adamski, é contactado por um alien, que tinha aparência humana, cabelos loiros e olhos azuis e disse ser de Vênus. O venusiano levou George para sua espaçonave, e este tirou várias fotos lá dentro, mas, quando saiu de lá, sua máquina foi confiscada pelos aliens e devolvida vários dias depois, onde só haviam fotos com estranhos sinais. George escreveu três livros com as revelações que os venusianos lhe passaram e também descrevendo suas viagens espaciais.

Explicação: apesar de essa história ser absurda e ridícula, vamos nos conter na neutralidade: seja loucura, vontade de aparecer ou de ganhar de dinheiro, só temos a palavra de George Adamski sobre o caso. Éclaro que sua palavra perdeu o valor quando publicou algumas supostas fotos de discos voadores venusianos, que foram rapidamente provadas como fraude.

Caso 3–1957 — Um brasileiro, chamado Antonio Villas Boas, afirma que foi abduzido por alienígenas e obrigado a fazer sexo com uma das tripulantes, que faz sinais indicando que vai levar o filho concebido para o espaço.

Explicação: Não há nenhuma prova ou evidência da abdução, apenas a palavra de Antônio. E para piorar, o caso se tornou publico através de um jornalista do jornal O Cruzeiro, que já fora desmascarado em uma fraude envolvendo extra-terrestres. O que mais chega perto de uma evidência foram manchas que começaram a surgir pelo corpo de Villas Boas, e que muitos acreditam que o mesmo as causou — ou aproveitou o surgimento involuntário — para dar veracidade ao seu caso.

Caso 4–1974 — Um casal crente é abduzido no Brasil. Faz contato com Karram, comandante da Frota Espacial e em seguida funda uma seita afirmando ter contatos constantes com Karram e serem seus representantes na Terra.

Explicação: Sem comentários. Ah, e sem provas e evidências também.

Caso 5–1975 — O suíço Billy Meyer consegue tirar várias fotos de discos voadores.

Explicação: as fotos eram fraudes, uma delas, inclusive, ficou famosa no seriado Arquivo X, onde era usada em posteres com os dizeres “I Want To Believe”.

São casos e mais casos. Muitos abduzidos ou fraudadores ganharam muito dinheiro com seus casos, outros só fama, e a maioria o anonimato.

Dentre tanta loucura e mentira, o que poderíamos chamar de mistério real e intrigante?

Caso Shag Harbor

Shag Harbor, Canadá, 1967

Durante a noite, várias testemunhas viram luzes brilhantes no céu. As luzes começaram a piscar estranhamente e, em grande velocidade, desceram e mergulharam no mar. As luzes pareciam flutuar na água e se movimentar. Todos podiam ver aquilo.

As pessoas acharam que estavam presenciando um acidente aéreo e logo ligaram para a polícia local. Contudo, o próprio delegado já tinha visto as luzes mergulharem e, naquele momento, já se dirigia para a orla.

O centro de resgate foi contactado e então procuraram por informações sobre o tráfego aéreo, mas não havia nenhuma aeronave, civil ou militar desaparecida. O centro de resgate então enviou um relatório para as autoridades informando que um objeto de origem desconhecida havia atingido a água.

Nos dias seguintes as águas da região foram vasculhadas por mergulhadores e embarcações com sonares, mas nada foi encontrado.

Éclaro que, a partir daí, várias teorias de conspiração foram criadas, mas o caso se resume nisso, um intrigante mistério que merece mais pesquisa. Pois num caso como esse, tudo é possível: desde naves extra-terrestres até aviões militares inimigos ou experimentais. Mas o mistério continua.

Casos mais sóbrios, como esse, existem por todo o mundo, alegrando os que acreditam em aliens na Terra e intrigando os pesquisadores.

Mas devemos lembrar que, não ser identificado, não significa que seja alien. Pode ser que sim, pode ser que não.

[Áudio Kentaro Mori]

Eu quero acreditar

Não pensem errado sobre o tom cético desse episódio: eu quero acreditar. Mas para acreditar, preciso de, pelos menos, mais evidências palpáveis.

Não posso aceitar tantas mentiras, histórias distorcidas e absurdos que são vendidos como provas para os mais desatentos.

Existem os que simplesmente acreditam e existem os que querem acreditar, mas precisam de mais dados.

Talvez isso seja algo do ser humano, essa propensão a acreditar cegamente em algo.

[Áudio Kentaro Mori]

Eu também não acho que estejamos sós no universo. E, mesmo que as probabilidades sejam baixas, não descarto a possibilidade de sermos visitados um dia. E acharia isso muito interessante, mesmo que os visitantes viessem para guerrear, pois assim, talvez, os seres humanos deixariam de lado todas essas bobagens que os dividem hoje cultural e religiosamente e se uniriam em uma só nação com o mesmo objetivo.

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