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Áudio

O Assassino do Zodíaco

Christian Gurtner 20/09/2015 431


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Um dos maiores mistérios do crime da atualidade: o Assassino do Zodíaco

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Esse episódio faz parte dos fantásticos podcasts mais antigos do Escriba Cafe que, por questões de direitos autorais, não estão disponíveis para download nem pelo feed, Spotify, etc, (nem mesmo pelo player fixo no site) sendo possível ouví-los somente pelo player no respectivo post.


FICHA TÉCNICA

Roteiro, produção e narração: Christian Gurtner


BIBLIOGRAFIA

TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO

(As transcrições dos episódios são publicadas diretamente do roteiro, sem revisão, podendo haver ainda erros ortográficos/gramaticais e, assim, pedimos que marquem os erros e deixem uma nota para que possamos corrigí-los)

Ler a transcrição completa do episódio

Caso 1

20 de dezembro de 1968

A polícia encontra um carro em um estacionamento da Lake Hermann Road, um local isolado de Vallejo, na Califórnia.

Ao lado do carro, um casal de jovens jaz ensanguentado. O rapaz, David Arthur Faraday, de 17 anos, tinha levado um tiro na cabeça. A outra vítima, Betty Lou Jensen, de 16 anos, foi morta com 5 tiros nas costas, havia também um buraco de bala no carro, indicando que 7 tiros foram disparados ao todo.

O crime foi uma grande surpresa para a região, considerada calma e com índice quase nulo de assassinatos. Os investigadores não conseguiram encontrar um motivo para o crime e muito menos pistas de quem o teria cometido.

As investigações sobre como ocorreu crime resultaram na conclusão de que o casal namorava no carro quando as 23:15h um outro carro parou atrás. O assassino desceu do carro com uma pistola semi-automática — calibre .22, foi até ao carro das vítimas e disparou uma vez para que os jovens saíssem do automóvel. Quando Arthur estava saindo, levou um tiro na cabeça. A garota levou cinco tiros nas costas, talvez quando virou-se para fugir ao ver o namorado ser alvejado.

Sem roubar nada o assassino simplesmente foi embora.

Demoraria alguns meses para a polícia ter mais trágicas pistas sobre esse crime.

Caso 2

“Eu gostaria de reportar um duplo homicídio. Se vocês seguirem uma milha a leste da Columbus Parkway até a um parque público, vocês vão achar dois jovens num carro vermelho. Eles foram alvejados por uma Luger 9mm. Eu também matei aqueles jovens no ano passado. Adeus.”

5 de julho de 1969.

Darlene Elizabeth Ferrin de 18 anos e Mike Renault Mageau de 16, conversavam no carro, por volta de meia noite, no estacionamento do parque Blue Rock Springs, outro local utilizado pelos jovens para namorar, devido ao isolamento.

Um carro parou próximo a eles e um homem desceu com uma lanterna. Os jovens pensaram ser a polícia e já prepararam as carteiras de identidade para apresentar ao suposto policial quando, sem trocar nenhuma palavra, o homem disparou cinco tiros contra as vítimas e deu as costas para ir embora. Porém, o rapaz soltou um grito de dor, fazendo o assassino voltar e dar mais dois tiros em cada um. Em seguida foi embora.

Pouco depois, um grupo de adolescentes chegou à cena do crime e logo chamaram a polícia.

As duas vítimas estavam vivas quando os primeiros policiais chegaram. Darlene tentou falar, mas não conseguia. Ela morreu no caminho para hospital.

Mas, para Mike Mageau, os quatro tiros que levou não foram o suficiente. Ele sobreviveu e pôde relatar o caso a polícia, mas devido a escuridão e a lanterna do assassino, tudo que ele conseguiu descrever foi que parecia ser um homem com mais de 30 anos, rosto arredondado e cabelo castanho.

45 minutos após o crime, a polícia recebeu a ligação do assassino, que também assumiu a autoria do crime contra o outro casal em 1968.

Cartas

A polícia estava perdida, sem pistas não sabia o que procurar e os poucos suspeitos que tinham foram sendo descartados por não se encaixarem nos crimes. Mas não passa nem um mês até que o assassino resolve vir a público.

4 de agosto de 1969

Três cartas idênticas são enviadas para os editores de três jornais, o San Francisco Examiner, o San Francisco Chronicle e o Vallejo Times-Herald. Junto com as cartas, cada editor recebeu um pedaço de uma mensagem em código, que utilizava letras e também símbolos.

As cartas, assinadas com uma cruz sobre um círculo, eram uma espécie de apresentação. O assassino assumiu para si os assassinatos e, para provar que era o autor, dava detalhes que somente a polícia sabia sobre os crimes.

Além disso, fez uma exigência: disse que se os jornais não publicassem o pedaço de mensagem cifrada que receberam na primeira página, ele iria matar numa noite doze pessoas aleatoriamente.

Informou ainda que na mensagem em código, estava sua identidade.

Os jornais resolveram obedecer, pois, também geraria audiência. As cifras foram publicadas.

A polícia precisava que o assassino falasse mais, na esperança de que cometesse um erro. Foi então que disseram numa entrevista que tinham dúvidas sobre a autenticidade das cartas enviadas aos jornais. Era óbvio que o ego doentio de um serial killer não iria deixar que duvidassem de suas cartas. O plano funcionou. Em 4 de agosto de 1969 o assassino enviou outra carta para o San Francisco Examiner. A carta começava com as palavras que se tornariam sua marca registrada e aterrorizariam os envolvidos…

“Aqui é o Zodíaco falando…”

O resto da mensagem era um grande detalhamento sobre os crimes, para que não houvesse mais dúvidas quanto a autoria. Além disso, ele perguntava se a polícia estava com dificuldades para decodificar as mensagens cifradas, e diz novamente que sua identidade está ali.

Mentira.

Quatro dias depois, em 8 de agosto, um casal de professores do ensino médio, que viu a cifra publicada nos jornais, consegue quebrar o códido e decifrar a mensagem. Sua identidade não estava ali, mas sim uma mensagem doentia de uma mente louca.

“Eu gosto de matar pessoas porque é muito divertido. Mais divertido que jogos selvagens na floresta, pois o homem é o animal mais perigoso de todos. Matar algo me dá a mais emocionante experiência. É até melhor que namorar uma garota. A melhor parte disso é que quando eu morrer, eu renascerei no paraíso e aqueles que eu matei se tornarão meus escravos. Eu não vou dar meu nome para vocês porque vocês vão tentar desacelerar ou parar minha coleção de escravos para minha vida após a morte.”

Contudo, as últimas 18 letras não foram decodificadas. Mas, dentre todas as possibilidades, pode ser também somente letras aleatórias para completar a última linha.

A polícia ficou frustrada. Sem mais pistas ou suspeitos, o caso ficava cada vez mais difícil. Só uma pessoa poderia fornecer mais pistas, mas isso significaria mais mortes e a polícia corria contra o tempo.

Caso 3

27 de setembro de 1969

Bryan Calvin Hartnell de 20 e Cecelia Ann Sheppard, de 22, haviam tirado a tarde para relaxar numa espécie de praia do lago Berryessa.

Os dois estavam deitados conversando quando Cecelia diz para Bryan que havia um homem estranho os observando. Bryan pensou que ele estava mais longe e não conseguiu visualizar o estranho. Foi quando, de repente, o homem já estava somente a alguns passos do casal.

Ele vestia uma espécie de capuz grande e quadrado, com óculos escuros sobre esse estranho capuz e uma bata preta, onde se podia ver o símbolo do Zodíaco pintado no centro.

Portando uma pistola, o homem exigiu a carteira e a chave do carro, dizendo que era tudo o que queria e que ninguém iria se machucar. Disse também que era um fugitivo e que precisava ir para o México.

Bryan então ofereceu sua carteira e a chave do carro, mas o homem não pegou. Ele simplesmente amarrou os dois jovens de barriga para baixo.

Bryan, mantendo a calma, conversou com o estranho por vários minutos, oferecendo até ajuda jurídica para o mesmo. E quando se viu completamente amarrado, perguntou para o homem se a arma realmente estava carregada. O assaltante simplesmente tirou o pente e mostrou que havia balas.

Bryan viu algo brilhar na mão do assaltante, mas antes que pudesse virar a cabeça para ver melhor, sentiu algo frio perfurando suas costas. O homem esfaqueou Bryan 6 vezes enquanto Cecelia gritava para que ele parasse.

Em seguida esfaqueou Cecelia 10 vezes. E foi embora.

“Eu gostaria de reportar um homicídio, aliás, um duplo-homicídio. Eles estão duas milhas ao norte da sede do parque. Eles estavam num Volkswagen Karmann Ghia… Eu que matei.”

As duas vítimas ainda estavam vivas quando foram socorridas. Na porta do carro dos jovens, a polícia encontrou uma mensagem contendo as datas dos crimes passados e o símbolo do Zodíaco. As únicas pistas encontradas foram pegadas e marcas de pneu do carro do assassino.

Cecelia Shepard morreu dois dias depois no hospital, mas Bryan sobreviveu.

Suspeitos

Assim como todo crime que ganha repercussão, várias pessoas ligavam para a polícia sugerindo suspeitos ou dando informações confusas ou falsas. Sem muitas pistas a seguir ou informações relevantes, os investigadores entravam em vários becos sem saída.

Porém, poucos dias após o crime no lago Berryessa, o detetive John Lynch, da polícia de Vallejo, seguindo uma pista ou informação que até hoje é um mistério, foi de encontro a um homem chamado Arthur Leigh Allen, de 35 anos. O detetive questionou Allen sobre o que fazia no dia do crime de Berryessa, e o suspeito informou que viajou a passeio e voltou no dia 27, ou seja, o dia do crime, e não se lembrava se seus pais estavam em casa.

No relatório do detetive não havia nenhuma menção sobre os outros crimes, que, por sinal, estavam para ganhar mais um número na lista.

Caso 4

11 de outubro de 1969

O motorista de táxi Paul Stine pega um passageiro que o manda parar o carro na esquina das ruas Washington e Cherry em São Francisco. O passageiro saca uma pistola 9mm e mata Paul com um tiro na cabeça.

Em seguida pega a carteira, as chaves e corta um grande pedaço da camisa de Paul, e leva consigo.

Três jovens testemunharam o crime do segundo andar de uma casa do outro lado da rua, e chamaram a polícia. A descrição que os jovens deram era de um homem branco, por volta dos seus 30 anos, cabelos castanhos, vestindo roupas escuras e óculos. Além disso, um par de luvas e uma impressão digital foram encontradas no sangue sobre a poltrona do táxi.

A polícia começou as buscas pela região, até que dois policias cruzam com um suspeito exatamente igual à descrição, mas não o param, pois, por algo até hoje não explicado, a informação inicial que todas as patrulhas receberam era de que se tratava de um homem negro.

Por um erro crasso, a polícia perdeu, provavelmente, a única grande chance de prender o Zodíaco.

E o assassino riu disso.

Mais cartas

Em 13 de outubro de 1969, o Zodíaco envia uma carta para o San Francisco Chronicle assumindo o assassinato do motorista de táxi. Junto, enviou um pedaço ensanguentado da camisa da vítima para provar a autoria.

Zombou da polícia, dizendo que eles poderiam tê-lo prendido se tivessem procurado direito.

No final da carta ele diz que crianças são um ótimo alvo, e que ele poderia tomar um ônibus escolar de assalto e atirar nas crianças.

A morte do taxista foi o último caso confirmado do Zodíaco, porém, ele continuou enviando cartas durante vários anos, assumindo crimes que provavelmente não cometeu, anexando diagramas do seus planos para explodir um ônibus escolar, fazendo exigências para que a população de São Francisco usasse bottons com a logomarca do assassino e outros absurdos.

Dentre as cartas, algumas outras mensagens codificadas também foram enviadas, onde o Zodíaco afirmava novamente revelar ali sua identidade. Porém, até hoje ninguém conseguiu quebrar o código.

O fato é que, as mortes, aparentemente tinham cessado. A pergunta é: por quê? Teria polícia chegado tão perto do assassino ao ponto dele ficar receoso e decidir se aposentar?

Talvez a polícia tenha chegado mais perto do que imaginava.

Arthur Leigh Allen

Numa manhã de 15 de julho de 1971, um executivo de nome Santo Paul Panzarella, após ler as reportagens sobre o Zodíaco, ligou para a polícia de Manhattan dizendo possuir informações sobre um possível suspeito. Panzarella disse que ele e o sócio, Donald Cheney, por algum tempo suspeitaram de um homem que vive na cidade de Vallejo, pois, até um ano antes dos crimes começarem, trabalharam com o irmão do suspeito e passaram algum tempo tempo com ele. O nome desse suspeito era Arthur Leigh Allen.

Donald Cheney passou mais tempo com Arthur, saindo para caçar vez ou outra, onde podiam conversar bastante. Numa dessas conversas, brincando em tom de ficção científica, Arthur pergunta para Donald se ele já pensou em caçar humanos. E disse como seria interessante matar pessoas aleatoriamente, se aproximando do carro atirando e indo embora. A falta de motivos iria dificultar a investigação.

Além disso, Arthur também disse a Donald que enviaria cartas para a polícia assinadas com o nome de Zodíaco.

Com o tom de veracidade das informações, a polícia logo começa, em pano de fundo, pesquisar cada detalhe da vida de Arthur antes de confrontá-lo.

Várias pessoas que conviveram com Arthur, diziam que ele era honesto, trabalhador eficiente e carinhoso com crianças. Carinhoso até demais, pois houve algumas suspeitas de que ele era um molestador.

Mas no geral, Arthur Leigh Allen, tinha uma ótima reputação entre seus amigos e vizinhos, muitos os quais conheciam Arthur desde criança.

Mesmo assim, em 4 de agosto de 1971, três detetives foram ao local de trabalho de Arthur para interrogá-lo. Ele alegou não se lembrar de ter a tal conversa sobre caçar humanos.

Durante o interrogatório, algo chamou a atenção dos policiais, sem ser perguntado ou sequer informado sobre pistas, Arthur diz aos detetives que as duas facas que estavam no carro dele em 1969, estavam sujas de sangue porque ele tinha matado uma galinha. Isso soou o alarme dos detetives que notaram que Arthur achava que eles tinha descoberto as facas.

Outras pistas impressionantes que os policiais descobriram foi que Arthur, quando garoto, tinha lido um livro chamado “O jogo mais perigoso”, que falava sobre caçar humanos na selva, e que isso havia o impressionado muito — e também aos policiais, que ligaram isso à carta cifrada do Zodíaco.

Para fechar com chave de ouro, perceberam que Arthur usava um relógio da marca Zodiac, cujo logotipo era exatamente igual ao da assinatura das cartas do Assassino do Zodíaco: uma cruz sobre um círculo.

A partir daí Arthur virou o principal suspeito e sua vida foi vasculhada por completo. Um casal de amigos disse que, uma vez, ao visitar a casa de Arthur, esse lhes mostrou alguns papéis que possuíam símbolos muito parecidos com aqueles utilizados nas cartas que o Zodíaco enviava para os jornais.

Sem álibis fortes, Arthur se encaixava perfeitamente como o Zodíaco, mas a polícia não encontrou uma prova sequer que pudesse condená-lo.

Frustração

Na verdade, o que a polícia encontrou foram evidências da inocência de Arthur. Sua impressão digital não batia com a encontrada no táxi e uma análise caligráfica concluiu que ele não era o autor das cartas.

Apesar de muitos apontarem os dedos para Allen, estava difícil levantar provas contra ele.

A última carta assinada pelo Zodíaco foi enviada em 29 de janeiro de 1974, onde ele falava do filme O Exorcista e contabilizava 37 mortes causadas por ele.

Nos meses seguintes, mais algumas cartas foram enviadas, porém não continham mais a assinatura do Zodíaco e falavam sobre assuntos diversos, mas análises de caligrafia concluíram que as chances das cartas terem sido escritas pelo Zodíaco eram grandes.

Com o passar dos anos, sem mais pistas, suspeitos ou evidências, o caso foi considerado inativo, sobrando somente algumas jurisdições que o mantém aberto.

Em 26 de agosto de 1992, Arthur Leigh Allen morre em sua casa devido a complicações nos rins.

Teorias e mais teorias

Com o advento da internet e a grande velocidade e facilidade de troca de informações, verdadeiras ou não, tentar desvendar os mistérios do caso do Zodíaco virou hobbie para inúmeras pessoas.

Isso pode ser interessante, já que quanto mais pessoas tentando, maior a chance de se descobrir mais pistas, afinal, a primeira mensagem codificada do Zodíaco foi desvendada justamente por pessoas comuns com tempo livre.

O problema é quando pessoas com sérios problemas psicológicos começam a exagerar na obsessão.

-Na Califórnia, uma mulher chamada Debora Perez, foi em rede nacional afirmar seu falecido pai adotivo foi o Zodíaco, enviando todas as supostas provas para o FBI. A credibilidade da mulher não ficou muito boa depois que se descobriu que ela falava que seu pai biológico era o ex-presidente John Kennedy.

-Outro que também deve ter tido problemas familiares foi o americano Dennis Kaufman, que exibiu em entrevista armas e roupas com o símbolo do Zodíaco que ele afirma pertencerem ao seu falecido padrasto. As evidências foram analisadas e se concluiu que são falsas, possivelmente forjadas por Dennis.

Malucos por toda parte afirmam saber quem é o Zodíaco ou se dizem eles mesmos serem o assassino. Evidências forjadas e mentiras são muito comuns em crimes antigos de grande repercussão.

O fato é que continuamos sem mais evidências, sem mais pistas e o mistério continua.

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