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Áudio

Máfia

Christian Gurtner 12/09/2015 241


Background
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Conheça um pouco a história da Cosanostra, a máfia italiana.

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Esse episódio faz parte dos fantásticos podcasts mais antigos do Escriba Cafe que, por questões de direitos autorais, não estão disponíveis para download nem pelo feed, Spotify, etc, (nem mesmo pelo player fixo no site) sendo possível ouví-los somente pelo player no respectivo post.


FICHA TÉCNICA

Roteiro, Produção e narração: Christian Gurtner
Participação especial: Codinome Vito Andolini — do podcast Rosso Pomodoro


BIBLIOGRAFIA


TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO

(As transcrições dos episódios são publicadas diretamente do roteiro, sem revisão, podendo haver ainda erros ortográficos/gramaticais e, assim, pedimos que marquem os erros e deixem uma nota para que possamos corrigí-los)

Ler a transcrição completa do episódio

Desde que criamos a sociedade e suas regras, houveram criminosos. Pois um criminoso se resume nisso: uma pessoa que não segue as regras da sociedade.

Começamos, então, a separar essas regras e definir quais os crimes piores, como o assassinato.

Durante toda sua história o ser humano matou uns aos outros. Matava pela honra, pela defesa, pelo raiva, pelo preconceito e até mesmo por motivo nenhum.

De repente surge o dinheiro, e esse se tornou uma grande justificativa para matar. O crime chegava, então, num novo patamar.

Em busca de dinheiro e poder, e muitas vezes somando isso à honra e a família, surgiu a máfia.

A definição de máfia nos dias de hoje pode ser muito abrangente e até ambígua. No entanto, tudo tem um começo… tudo tem uma história.

Muitos defendem que o conceito dessas organizações criminosas vem de muito tempo atrás, na idade média.

Mas podemos pular algumas teorias e ir direto para o lugar onde se desenvolveu uma das maiores máfias da história: Sicília

A Sicília sempre foi uma região banhada em sangue. Por estar estrategicamente no meio do caminho entre a Itália e o mediterrâneo, foi palco de diversas batalhas e sempre controlada por estrangeiros.

Foi nesse cenário que os Sicilianos tornaram-se descrentes no Estado, e a família passou a ser o centro da vida siciliana.

As disputas eram resolvidas ignorando-se as leis. Na verdade, tudo era resolvido de acordo com esse novo senso justiça, onde as famílias, vagarosamente, iam se tornando vários micro-governos nos quais, muitas vezes, seus membros não eram necessariamente parentes de sangue.

Dessa forma, a palavra “família” passou a definir grupos regionais, que se uniam para se defender e também defender seus interesses.

O termo “mafioso”, não era usado para definir um criminoso. A palavra vem de uma expressão arábica-siciliana, que era usada para definir alguém que protegia seus semelhantes da arrogância dos poderosos. O termo foi mais popularizado através de uma peça chamada “Mafiusi della Vicaria”, que significa “os heróis da penitenciária”, que conta a história de prisioneiros que tinham uma hierarquia própria.

Foi assim que, no século XIX, com o sistema feudal já arruinado, a Sicília encontrava-se diante de uma terra onde não havia, de forma concreta, governo ou autoridades. O caos e a violência dominavam os habitantes da ilha.

Aproveitando essa lacuna, alguns grupos de pequenos exércitos, se ergueram para extorquir dinheiro dos habitantes em troca de proteção. Esses grupos eram chamados de clans ou famílias.

Surgia assim, a máfia siciliana.

Chamados de capos, os cada vez mais poderosos chefes desses grupos de pequenos exércitos, começaram a ser vistos como líderes locais. Juntavam pequenas fortunas através dos tributos que recebiam dos habitantes de sua área. Quem se recusasse a pagar os tributos de “proteção”, na maioria das vezes era morto.

O silêncio reinava entre os habitantes. Nem mesmo os familiares das vítimas dos mafiosos ousavam abrir a boca para as autoridades, e esse, talvez, era outro grande fator que fez o poder da máfia crescer mais ainda.

As autoridades raramente, para não dizer nunca, eram procuradas pelos habitantes da ilha para qualquer coisa. Todos os assuntos eram resolvidos procurando-se o chefe da família mafiosa da região, desde pequenas disputas com vizinhos até casamentos. Se uma mulher solteira ficava grávida, o pai dela procurava o capo, e este procuraria o pai da criança, decidindo se haveria um casamento ou um funeral.

A máfia estava enraizada na Sicília e não havia um ponto sequer do dia a dia em que não houvesse as mãos das famílias de mafiosos.

Em 1861, com a recente unificação da Itália, a Sicília tornara-se uma província do país. Mas o governo ainda estava tentando se estabelecer e os Sicilianos viviam praticamente em outra forma de governo: o governo da Máfia.

A violência e crimes constantes, não só da máfia mas, principalmente de outros pequenos criminosos, deixavam a situação na ilha completamente fora do controle italiano.

Foi em 1870 que a polícia italiana chegou ao ponto de negociar com os mafiosos, pedindo que as famílias eliminassem os bandos criminosos que assolavam a ilha. Em troca, a polícia ofereceu fazer vista grossa para os negócios ilegais da máfia.

Isso fez com que a máfia expandisse seus negócios e se enraizasse em diversos aspectos da sociedade siciliana. Os mafiosos, então, através de subornos, extorsões e tática do medo, tinham controle sobre a polícia local, os juízes e os políticos. A mão da máfia estava em todos os lugares. Não havia um negócio comercial em que a intermediação mafiosa não se fizesse presente. Até mesmo a igreja católica esteve envolvida com a máfia para proteger seus interesses.

Éclaro que isso fez o poder das famílias mafiosas subirem como nunca. O que antes era somente uma cobrança de tributos para proteção, agora era um enorme negócio que envolvia toda a política e economia da ilha.

Rituais secretos de iniciação eram comumente utilizados entre as famílias, focando basicamente na omerta, que era um antigo e tradicional código de conduta siciliano onde nunca se devia procurar as autoridades para resolver nenhum problema e muito menos cooperar com a justiça em investigações criminais. O omerta se baseava na antiga regra siciliana de que, se o governo não te ajuda nas pequenas coisas, para quê procurá-lo para todas as outras coisas? Quem quebrasse esse código, certamente morreria.

Corpos na rua eram encontrados diariamente. Traidores ou pessoas que se negassem a pagar os tributos eram assassinados como exemplo. Pequenos ladrões e devedores cujos credores iam procurar os capos para resolver o problema, eram também mortos e seus corpos deixados na rua ou onde quer que fosse.

Para muitos, a vida na Sicília passara a ser insuportável, fazendo com que milhares largassem tudo para recomeçar a vida em outro lugar. A maioria foi para os Estados Unidos, a terra da prosperidade. Mas junto com os imigrantes, inevitavelmente, ia a tradição mafiosa a qual estavam inseridos desde seus nascimentos.

Com todo o silêncio e todo o controle da máfia sobre a Sicília, tornava-se impossível para o governo italiano sequer imaginar conseguir eliminar os mafiosos. Pelo menos utilizando a lei e a justiça.

Para acabar com a máfia seria preciso usar as mesmas armas, algo além da justiça e das leis. E esse dia não demoraria a chegar.

Até o ano de 1920 o poder da máfia crescia sem enfrentar muitos obstáculos, até que sobe ao poder o primeiro ministro Benito Mussolini.

Mussolini, sem se importar com as leis regentes, varre os mafiosos da itália, levando centenas para a prisão e matando vários outros.

Mas muitos mafiosos poderosos ainda resistiam e até enfrentavam Mussolini.

Certa vez, na Sicília, o primeiro ministro foi fazer um discurso e levou sua guarda pessoal. O chefe mafioso local disse a Mussolini que ele estava seguro ali, pois aquela era sua área, mas o primeiro ministro não abriu mão de sua guarda, o que fez o mafioso se sentir ofendido.

Quando Mussolini chegou para o discurso, não havia uma pessoa sequer para ouvir suas palavras, o que mostrou claramente o poder da máfia sobre a população.

As famílias mafiosas se mostraram um empecilho para o regime fascista. Com mão de ferro, Mussolini usava contra os mafiosos mais poderosos as mesmas táticas que eles usavam com seus inimigos, como sequestrar e ameaçar familiares, até que os chefes fossem encontrados.

Vários mafiosos fugiram para os Estados Unidos, juntando-se às famílias que começavam a se formar por lá.

A Itália parecia, finalmente, livre da máfia. Mas não por muito tempo.

Quando os aliados invadiram a Sicília, na segunda grande guerra, libertaram os inúmeros mafiosos que estavam atrás das grades, confundindo os mesmos com presos políticos.

Com esse fato, unido a mais um capítulo caótico da história Siciliana, a máfia se ergue novamente, mas, dessa vez, com negócios cada vez maiores, já que muitas empresas se fizeram necessárias para reerguer a Itália pós guerra. A Máfia agora contava com famílias em diversos pontos da itália, controlando todo o tipo de negócio.

Nos EUA, a máfia também prosperava. Famílias fundadas por imigrantes e seus descendentes, enriqueciam através de diversos empreendimentos, desde prostituição e bebidas, até a grandes indústrias onde os mafiosos se infiltravam. Vários políticos e outras autoridades eram comprados por mafiosos, facilitando suas ações e abrindo caminho para novos empreendimentos.

Apesar de a máfia americana e a siciliana não terem se relacionado diretamente, seguiram caminhos parecidos, e mantinham o mesmo código de honra e silêncio, o que tornava muito difícil para a polícia desmantelar esses grupos. No fim, as tradições mafiosas, tanto na Itália, quanto nos EUA, eram os mesmos.

Em 1950, a Cosa Nostra, como passou a ser conhecida a máfia italiana, era a rede de crime organizado mais poderosa da América.

Na Sicília e demais regiões da Itália, as coisas não eram diferentes dos EUA. A máfia controlava praticamente todos os negócios. Através de suborno, conseguiam controlar políticos e, muitas vezes, colocavam membros da família no poder.

O partido democrata-cristão rapidamente se uniu à máfia, criando um poder político sem prescedentes para os clans. O velho chefe mafioso Don Carlo, fez um discurso público dizendo apoiar o partido, o que fez com que várias outras famílias repetissem o gesto. Obviamente que a população seguiria aquele inocente conselho.

E assim a máfia começou a encher os bolsos também com dinheiro público.

Mas depois da morte de Don Carlo, uma nova geração de chefes mafiosos começou a surgir, e entre eles estava um famoso assassino da província de Corleone: Luciano Liggio.

Essa nova máfia se mostrou muito mais violenta e aterrorizante. Luciano Liggio começou sua carreira como assassino e logo se tornara o matador mais procurado pela máfia corleonesa. Logo ele passaria a controlar um pequeno exército de assassinos.

Quando a máfia corleonesa decidiu expandir seus negócios, procurou Liggio para que este fosse às cidades costeiras em busca de novos territórios.

Como depois da segunda guerra mundial a Sicília estava em ruínas, Roma passou a enviar muito dinheiro para a reconstrução da ilha, focando em sua principal cidade: Palermo.

Com isso, Liggio viu ali a chance de pegar uma fatia daquele grande montante de dinheiro.

O problema é que, além dos corleoneses, várias outras famílias também buscavam a sua parte daquele bolo em Palermo. Uma guerra entre eles parecia inevitável.

Com tanto poder e dinheiro concentrados em Palermo, ninguém mediria forças para dominar a região.

Mas Liggio não poderia perder aquele espaço. Começou sua empreitada e uma média de três assassinatos por semana eliminava mafiosos de outras famílias, e elas retrucavam.

Depois de cinco anos de muita violência entre os mafiosos, as famílias perceberam que aquela guerra estava prejudicando seus negócios e diminuindo seus lucros. Era necessário resolver aquela questão ou os mafiosos perderiam poder.

Foi assim que em 1957 os chefes das famílias mafiosas marcaram uma reunião para resolver esses e outros problemas.

Durante quatro dias os chefes se reuniram no Grande Hotel de Palermo, e ali resolveram criar uma comissão que controlaria a política e divisão de territórios de todas as famílias, resolvendo vários problemas e acabando com a guerra entre eles.

Essa comissão ficou conhecida como a Cupola.

A partir de então, tudo deveria passar antes pela comissão. Até mesmo assassinatos importantes deveriam ser aprovados pela Cupola.

Com isso, nos anos seguintes, a Sicília viveu épocas de paz.

Mas a máfia corleonesa estava inquieta, dizendo que ficara de fora da Cupola. Aproveitando esse momento de tensão, Liggio assassinou o chefe do clã (o qual teria tentado, antes, matar Liggio), abrindo caminho para que ele subisse ao poder e tomasse o controle da família Corleone.

Liggio conseguiu seu lugar na Cupola e voltou-se para um negócio que se tornou um dos mais lucrativos: o tráfico de heroína.

Logo toda a máfia siciliana estava envolvida no tráfico de drogas. O ópio vinha do Afeganistão e era processado na Sicília, de onde saía o produto para, principalmente, os Estados Unidos.

Havia espaço para todos e, assim, parecia que a paz entre as famílias seria duradoura.

Mas com tanto dinheiro vindo das drogas, a paz não poderia durar muito. Vários mafiosos começaram a conspirar para tentar tomar o controle do tráfico.

Foi dessa forma que se iniciou, em 1964, uma nova guerra entre as famílias. Dessa vez muito mais sangrenta e violenta. Corpos eram encontrados diariamente. Mulheres e até crianças eram assassinados. Bombas explodiam e, se o objetivo era matar um só mafioso, os assassinos não se importavam se, junto com ele, morressem outros dez inocentes numa explosão.

Essa guerra fez com que as autoridades reagissem. Uma grande operação foi feita em Palermo, onde centenas de armas e mafiosos foram presos, incluindo alguns líderes.

Com a atenção das autoridades sicilianas voltadas para os mafiosos, vários fugiram para a América, onde foram recebidos pelos mafiosos locais e continuaram o tráfico de heroína dali. A parceria entre sicilianos e ítalo-americanos começava a render um bom negócio nos EUA.

Em 1974, Liggi também foi preso. E quem assumiu a família Corleone foi Salvatore Riina.

Salvatore se mostrou mais violento e ambicioso que Liggi. Com o objetivo de controlar todo o tráfico de drogas da Sicília, iniciou uma guerra sem precedentes, assassinando centenas de mafiosos de outras famílias.

Corpos despedaçados eram encontrados diariamente pelas ruas de Palermo. O objetivo de Salvatore era colocar todas as famílias sob o controle dos Corleone.

A violência durou até 1983. Mafiosos, políticos, policiais, juízes e quem quer que fosse que desafiasse o poder da máfia era assassinado. Os Corleone praticamente não sofreram perdas.

Salvatore finalmente estava no controle total da Sicília, desde a política até a economia. O Império da Máfia havia se formado.

A Sicília parecia estar total e definitivamente sob o domínio da máfia. Com o poder político e econômico dos Corleone e o medo e o silêncio da população, era praticamente impossível desmantelar o crime organizado.

Contudo, um promotor chamado Giovanni Falconi declara guerra contra a máfia e se torna o mais famoso homem anti-máfia do governo. Numa missão que muitos diziam impossível, Falconi investiu todas suas forças para acabar com a máfia siciliana. Ele contou com a ajuda de outro promotor e amigo de infância, chamado Paolo Borsellino.

Juntos travaram uma grande batalha contra os Corleone e a Cosa Nostra. Rastrearam o dinheiro dos criminosos e, quanto mais investigavam, mais fatos vinham a tona, colocando vários mafiosos na corda bamba.

Devido aos grandes inimigos que os Corleone fizeram em sua guerra, somando a coleção de provas e descobertas que Falconi e Borsellino juntavam, pela primeira vez na história, iniciou-se uma quebra em massa do código dos mafiosos.

Vendo aquilo como a única chance de continuarem vivos, vários mafiosos começaram a colaborar com a polícia.

Dessa forma, o até então secreto mundo dos mafiosos, começava a vir a tona.

A situação ficou piorou para os criminosos quando foi preso, no Brasil, Tommaso Buscetta, um importante chefe mafioso da Sicília. Já preso, e depois de tentar um suicídio, ele começou a falar. O principal motivo disso, talvez tenha sido o fato de que boa parte de sua família, como filho, sobrinho e irmão tenham sido assassinados pelos corleoneses.

Pela primeira vez um mafioso de alto escalão resolveu cooperar com a polícia. Ele contou a Falconi tudo o que sabia sobre a máfia e isso foi um grande fator para que Falconi e Borselinno reunissem mais provas e montassem dossiês sobre centenas de mafiosos.

Mais de 700 mafiosos foram a julgamento e quase 400 condenados, o que foi considerado uma vitória para a dupla anti-máfia, afinal eles haviam feito algo considerado impossível.

Muito ainda precisava ser feito. Mas o caso não andava, pois a influência da máfia sobre os políticos era grande o bastante para se tornar um empecilho para os promotores continuarem sua batalha.

O governo então promoveu Falconi para um cargo administrativo, evitando assim que a dupla anti-máfia continuasse seus trabalhos.

Mas Falconi usou esse seu novo posto para iniciar uma nova perseguição aos criminosos e estava prestes a progredir.

No entanto, em 1992, enquanto viajava de carro com sua esposa, uma bomba explodiu na estrada, matando Falconi, sua esposa e seus guarda-costas.

O assassinato de Falconi chocou toda a Itália, levando milhares às ruas. Os sicilianos, diante da morte daquele que viam como um herói, não ficaram mais calados.

Borsellino assumiu a cruzada anti-mafia e, dois meses depois, quando tocou o interfone do apartamento de sua mãe, um carro ao lado explodiu, matando o promotor.

Mais e mais sicilianos saíram às ruas. Protestavam e exigiam uma ação do governo. Essa cena era algo inimaginável há poucos anos antes, mas, agora, os mafiosos tinham ido longe demais.

Roma enviou o exército para Palermo para fazer o trabalho diário dos policiais, liberando-os para se dedicarem exclusivamente à caça aos mafiosos. Vários foram presos e a máfia começava a recuar.

Em 1993, Salvatore Riina, o chefe dos Corleone foi preso para cumprir sua prisão perpétua e, pouco tempo depois, a Itália se viu livre do império da máfia.

A máfia ainda existe nos dias de hoje. Vive de forma mais discreta, porém diversas famílias ainda operam no mercado internacional. Desde a indústria até ao lucrativo negócio do lixo. Ainda controlam políticos e outras autoridades, mas seu terreno está bem menor do que nos tempos antigos da Sicília.

A dita era romântica da máfia deixou de existir há muito e muito tempo. Uma época em que a honra e a segurança da família eram justificativas mais do que suficientes para assassinar os inimigos. Uma época de uma terra perdida, onde o próprio povo cuidava dos seus e cometiam crimes em busca da prosperidade e da integridade.

A família em primeiro lugar. Não é atoa que os clans mafiosos se chamavam famílias, mas há muito deixaram de agir como tal. Hoje a máfia está mais corporativa do que nunca.

A máfia possui um só grande objetivo: fazer dinheiro a qualquer custo.

Quem vai prevalescer? Afinal, como sugere Horácio: “ganhe dinheiro honestamente se puder, se não, como puder”.

Talvez devêssemos pensar nos inúmeros políticos corruptos e lacaios que existem por aí. Não acho que os mafiosos sejam tão criminosos como eles, que, mesmo sem matar ninguém diretamente, são a razão de tanta fome, mortes, vícios e outros crimes. O mafioso está fazendo o cruel papel dele. Já o político corrupto…

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