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Mais um fim

Christian Gurtner 02/09/2015 55


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Prepare-se: o fim dos tempos está próximo. Ou não. Uma visão histórica de como o homem, através de suas crenças, sempre pregou o fim do mundo.

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Esse episódio faz parte dos fantásticos podcasts mais antigos do Escriba Cafe que, por questões de direitos autorais, não estão disponíveis para download nem pelo feed, Spotify, etc, (nem mesmo pelo player fixo no site) sendo possível ouví-los somente pelo player no respectivo post.


TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO

(As transcrições dos episódios são publicadas diretamente do roteiro, sem revisão, podendo haver ainda erros ortográficos/gramaticais e, assim, pedimos que marquem os erros e deixem uma nota para que possamos corrigí-los)

Ler a transcrição completa do episódio

Dezembro de 2012

É desencadeada uma guerra nuclear. Os países do oriente e do ocidente atingiram seu ápice nos desacordos culturais, religiosos e econômicos. Bombas e máquinas de guerra explodem e circulam em todas as regiões do planeta. Pela terra, pelo ar e pelos oceanos.

Ao mesmo tempo, fenômenos naturais devastadores varrem cidades inteiras. Uma tempestade solar elimina grande parte da vida terrestre e o primeiro dia do ano de 2014 amanhece tranquilo e silencioso, sem o canto dos pássaros, sem o barulho das máquinas e sem qualquer som de voz humana.

Você acredita em profecias?

Civilização Maia

Com uma história de aproximadamente 3.000 anos, a civilização Maia se destacou por seu grande conhecimento astronômico. Com esse conhecimento, os maias criaram um dos mais avançados calendários da antiguidade, cujo qual auxiliou no plantio e na previsão de vários acontecimentos celestiais.

Mas os maias não sobreviveram aos seus próprios conflitos e guerras internas. Isso se tornou um grande fator para seu desaparecimento, fazendo com que, quando os conquistadores espanhóis chegaram, encontraram um império já em decadência, sem a capacidade de oferecer a menor resistência.

O Calendário Maia

Mesmo tendo desaparecido há vários séculos, os maias ainda são aclamados e discutidos entre diversos os grupos não-científicos nos dias de hoje. Se você realizar uma simples busca pela internet, notará que haverá muito mais resultados que apontam para sites esotéricos e místicos do que para sites sérios, focados na história. Essa fama no meio não-científico, está ligada aos mistérios que ainda rondam a cultura do povo e seus rituais.

Mas o principal motivo está no calendário maia.

Os maias, na verdade, possuíam vários calendários. Um deles, o calendário de conta longa, usava unidades de tempo gradativas, parecido com nossos dias que viram mês, meses que viram anos e assim por diante, numa crescente formação de unidades. Contudo, nosso calendário pode ser usado eternamente, enquanto que o calendário de conta longa dos maias dura aproximadamente 5.200 anos, sendo seu último dia a data maia de 13.0.0.0.0.

E que data é essa? O calendário maia é usado entre os esotéricos como amuletos, previsões sobre a vida, mensagens místicas e outras crendices. Mas o que mais está chamando a atenção recentemente é o fato de alguns pesquisadores concluíram que a data final do calendário maia significa, em nosso calendário, a data 21/12/2012.

As profecias

Com a precisa data de 21 de dezembro de 2012, os mistérios começam a rondar a cabeça de várias pessoas. Se os maias conseguiram prever vários fenômenos em seu calendário, e dizem que previram até a chegada dos espanhóis, teriam eles, então, previsto o fim dos tempos?

Dentre os vários escritos proféticos maias, somente um deles menciona essa data. Trata-se de uma profecia em que afirmam que nesse dia virá à Terra o deus da guerra e da criação. Contudo, outro texto maia escrito depois da invasão espanhola, prevê a chegada de vários seres mitológicos como “o vomitador de sangue”.

Tudo isso não passaria de mitologia antiga se não fosse por algo que veio a encher as cabeças dos místicos: o fato de que alguns outros oráculos da antiguidade, que viveram em diferentes culturas isoladas, também previram para o ano de 2012 catástrofes e tragédias sem precedentes. Dentre estes estão o Oráculo de Delfos, na Grécia, e Sibila, em Roma.

Sibila vivia numa caverna e era procurada por todos os políticos romanos para tratar assuntos militares, econômicos e pessoais. Ela ficou famosa por ter previsto o nascimento de Jesus e, recentemente, por ter previsto o fim dos tempos em 2012, numa profecia onde afirma que guerras, fogo caindo do céu e outras tragédias levarão os homens da Terra.

Estudiosos da bíblia também calcularam as que as previsões feitas pelo profeta Daniel se referem à uma data próxima da de 2012. E como se não bastasse diversas profecias de diversas culturas apontando para um mesmo fim em uma mesma data, surgiu uma teoria de que o I Ching, o mais antigo livro chinês, possui um padrão que também traz o ano de 2012.

As profecias que se referem ao ano de 2012 estão presentes também em várias outras cultuas de várias épocas, numa interminável lista.

Então o fim está próximo?

O mundo de hoje

O mundo em que vivemos hoje está repleto de violência, preconceito, intolerância e crimes.

Vemos países se afogarem em corrupção, ditaduras e revoltas. A divisão cultural e religiosa do oriente e do ocidente se mostra cada vez mais perigosa. Países se armam com bombas nucleares e ameaçam o resto do mundo. Sacerdotes de certas religiões pregam o fim dos fiéis de outras religiões, enquanto disputas por pedaços de terra e imposição cultural arrasam os inocentes com mísseis e atentados terroristas.

A natureza também mostra seu poderio arrasando cidades com tsunamis, terremotos e furacões, e revida as ações humanas com seca, o aquecimento global e o degelo polar.

Com um ambiente assim, com ou sem profecia, podemos dizer que nosso futuro está fadado à catástrofe.

A lado científico

Mas as coisas não são bem assim. Estudiosos mais sérios chegaram a conclusão de que a cultura maia, na verdade, tinha uma noção de tempo diferente, divida em ciclos. O fato do calendário terminar nada mais é do que o fim de um ciclo e não há nenhuma menção sobre ser este o último ciclo. Além disso, o ano maia de 13.0.0.0.0 não possui qualquer consenso entre historiadores e pesquisadores de que se trata do ano gregoriano de 2012.

As outras profecias, como a romana, a grega e até mesmo a bíblica, também não possuem qualquer referência direta ao ano de 2012. A conclusão desse ano é baseada somente em teorias e especulações, provavelmente influenciadas pelas já constantes menções a tal data.

Olhando para mundo de hoje, podemos facilmente embasar essas teorias. No entanto, as coisas não funcionam assim. Para falarmos do presente e ousarmos falar do futuro, é importantíssimo olharmos para o passado. Guerras, violência e tragédias sempre nos acompanharam pela história, e, militarmente falando, hoje só estamos mais bem armados e multiplicados, mas as guerras da antiguidade eram relativamente muito piores, bem como suas consequências.
Também não podemos esquecer dos fenômenos climáticos que já cobriram o planeta com gelo, e elevaram os mares. E, por mais que os humanos estejam supostamente acelerando a já natural mudança climática, as consequências dessa aceleração já são vistas há muito tempo.

Todos esses fatores históricos e naturais podem ser interpretados de diversas formas. Qualquer pessoa pode fazer qualquer profecia aleatória certeira, desde que se contenha no lugar comum de toda profecia: a abertura.

Inúmeros oráculos e profetas já passaram pela terra. Muitos deles são venerados até hoje e as pessoas acreditam fielmente nos seus acertos. A razão disso está nas diversas interpretações que uma profecia pode ter, pois fora criada de forma quase que abstrata, deixando enormes aberturas que podem gerar milhares de interpretações, dependendo da época e dos acontecimentos contemporâneos de quem a interpreta.

Raramente nos deparamos com uma profecia direta. Todas elas estão repletas de simbolismo e ambiguidades, o que torna sua abrangência atemporal.

Os vários fins do mundo

“O fim dos tempos está próximo. Arrependei-vos.”

Essa frase é dita há muito tempo. A verdade é que o fim do mundo está próximo desde milhares de anos atrás, e nunca chegou.

Os cristãos nos primeiros séculos, acharam que viveriam para ver o fim do mundo. E várias outras culturas também já compraram seus ingressos atoa, morrendo naturalmente com eles nas mãos. Lembram de Nostradamus e o ano de 2001? E as previsões codificadas na bíblia para o ano de 2004?

Ainda vivemos.

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