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Áudio

A Segunda Guerra Mundial

Christian Gurtner 24/09/2015 3391 2 5


Background
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A história da mais sangrenta e cruel guerra de todos os tempos.


FICHA TÉCNICA

Pesquisa, roteiro e produção: Christian Gurtner


PATRONOS

Esse episódio foi possível graças ao apoio de Canal sobre cinema Acabou de Acabar, WannaPlay, George Fernando, Belém Bezerra, Fulvio Longhi, Silton, Filipe Chaves

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LINKS CITADOS


TRAILER DO EPISÓDIO

Os trailers normalmente são publicados alguns dias antes do lançamento do podcast. Acompanhe através de nosso canal no Youtube.

TRILHA SONORA

  • Grave Blow — Kevin MacLeod
  • Grim League — Kevin MacLeod
  • Interloper — Kevin MacLeod
  • Das SS Lied — German SS
  • Evil March — Kevin MacLeod
  • Scheming Weasel Faster — Kevin MacLeod
  • Serpentine trek — Kevin MacLeod
  • Shamanistik — Kevin MacLeod
  • Tempting Secrets — Kevin MacLeod
  • Auf Auf zum Kampf — German SS
  • All This — Kevin MacLeod
  • Sarabande — Frideric Handel
  • Dangerous — Kevin MacLeod
  • Epic Unease — Kevin MacLeod
  • Exciting Trailer — Kevin MacLeod
  • Fairytale Waltz — Kevin MacLeod
  • Long Road Ahead B — Kevin MacLeod
  • Ich Hatt Einen Kameraden — Wehrmacht

BIBLIOGRAFIA

MAGNOLI, D. A história das Guerras. 3.ed. São Paulo: Contexto, 2006

NEITZEL, S. Soldados: sobre lutar, matar e morrer. 1.ed. São Paulo: Cia das Letras, 2014

FINKELSTEIN, N. A indústria do Holocausto. 5.ed. Rio de Janeiro: Record, 2006

BAKER, N. Fumaça humana. 1.ed. São Paulo: Cia das Letras, 2010

TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO

(As transcrições dos episódios são publicadas diretamente do roteiro, sem revisão, podendo haver ainda erros ortográficos/gramaticais e, assim, pedimos que marquem os erros e deixem uma nota para que possamos corrigí-los)

Ler a transcrição completa do episódio

Fim da Primeira Guerra Mundial

Norte da França, 11 de novembro de 1918
2h05 da madrugada.

Num vagão de trem estavam reunidas as delegações dos países em guerra para assinar um armistício. Alemanha finalmente cedia, perdendo a guerra. Como condição para o fim das batalhas a Alemanha entregaria praticamente todo seu equipamento de guerra, recolheria todos os soldados para dentro da Alemanha e cederia os territórios ocupados na Europa Oriental.

Em 1919, após meses de negociação, o tratado de paz é assinado, encerrando oficialmente a Primeira Guerra Mundial. Conhecido como Tratado de Versalhes, ele impôs severas penas à Alemanha, tomando grande parte de seu território, impondo multas altíssimas a serem pagas à várias nações, diminuindo seu exército a números quase nulos, obrigado a Alemanha a dar a independência à Áustria, e proibindo a construção de submarinos, navios pesados, tanques e artilharia.

Já não bastasse a desumana ação de Churchill, então Primeiro Lorde do Almirantado da Inglaterra, com seu bloqueio naval cujo objetivo era, de acordo com suas palavras, “impor a fome a homens, mulheres, crianças e velhos, feridos ou sãos, até que eles cedessem”, mas que manteve o bloqueio mesmo depois que eles tinham cedido, também as condições do tratado eram absurdas e exageradas. A Alemanha seria tomada pela fome e miséria, fazendo com que os alemães se tornassem escravos da Europa.

A humilhação que estava sendo imposta ao povo alemão, preocupou alguns dos aliados, como o supremo comandante aliado, marechal Ferdinand Foch, que disse “Isto não é a paz. É apenas um armistício válido pelos próximos vinte anos”.

Hitler sobe ao poder

Com o passar dos anos pós guerra, a Alemanha, em visível decadência e desespero enfrentado pelo povo faminto, vivia um clima de desamparo e revolta. Foi aí que surgiu alguém prometendo acabar com a humilhação e reerguer a Alemanha e fazendo seu povo prosperar. Com seus discursos calorosos e olhar carismático, ele se mostrava como um guia para a nação, um Führer.

Adolf Hitler, após tentar um golpe, fora preso e enquanto estava detido escreveu sua polêmica obra Mein Kampf, ou em português, Minha Luta, publicada em 1925. Onde expõe seus ideais anti-semitas e raciais, bem como a estrutura política do seu partido Nacional Socialista.

Apesar de levar o crédito pelas ideias racistas e preconceituosas, principalmente no que se trata dos judeus, elas não eram nem de longe originais, e sim parte de teorias e pensamentos que já rondavam a Europa e outras partes do mundo há muito tempo. Como podemos ver num artigo de Winston Churchill de 1920, onde ele afirma que: “o movimento judeu se trata-se de uma conspiração mundial para derrocar a civilização e reconstituir a sociedade na base do desenvolvimento contido, da malevolência invejosa e do igualitarismo impossível.”. Também uma carta da futura primeira dama americana, Eleanor Roosevelt, em 1918, para sua sogra mostra o pensamento anti-semita nas Américas: “Eu tive de ir à festa de Harris, embora preferisse a forca a ser vista lá. Praticamente só judeus”.

As ambições de Hitler não seriam muito difíceis de serem conquistas, pois além do povo que se agarraria a qualquer chance de melhorar suas vidas, havia também inúmeros militantes que seguiam seu líder como um ser divino. Após a publicação de seu livro, mais adeptos ao nazismo surgiam de todos os cantos.

Hitler estava ciente disso. Num encontro com dois editores americanos em 1931 ele afirmou que “somente com o fanatismo conseguiremos realizar alguma coisa”.

E fanatismo não faltava na Sturmabteilung (conhecida como S.A. Ou camisas pardas), uma milícia paramilitar nazista, que exercia funções como levantes, protestos, perseguição a judeus e apoio incondicional a Hitler. Era uma milícia de baderneiros cuja principal função era a pressão política.

Com esse apoio, somado também a tudo que a Alemanha passava, Hitler finalmente sobe ao poder em 1933, tornando-se chanceler.

A partir de então Hitler elimina todos os demais partidos, prende inimigos políticos e finalmente acaba com a SA, assassinando seus líderes em uma única noite conhecida como Noite das Facas Longas. O motivo para esse ato era simples para Hitler, os baderneiros da SA não era o que ele queria para o novo exército daquilo que ele planejava ser um grandioso império, e seu comandante, Ernst Röhm estava cada vez mais poderoso e com desejos se tomar o lugar do Exército. No lugar da S.A. entra a S.S. ou Schutzstaffel, mais disciplinados, elegantemente vestidos com uniformes pretos criados por Hugo Boss e bem treinados sob o comando de Heinrich Himmler.

Hitler agora tinha o comando da Alemanha e a mão de ferro.

O Tratado de Versalhes é violado

A partir de 1935, Hitler foi mais aclamado pelo povo quando começou a focar num dos principais problemas que a Alemanha enfrentava: o desemprego. Abriu vagas na indústria, no serviço para-militar e, finalmente, desrespeitando o Tratado de Versalhes, reabre o alistamento militar. Com isso ele resolvia dois problemas: o social e o militar, que era essencial para seus próximos passos.

Enquanto o clima de tensão crescia na Europa, os Estados Unidos lucravam como nunca. Seus principais clientes na venda de armas e equipamentos de guerra eram a Alemanha e a China.

Com esse último, os americanos acabavam por provocar os japoneses, que há tempos travavam batalhas com os chineses. Além disso os Estados Unidos ainda enviaram pilotos e outros técnicos para a China, para assim treinarem os pilotos chineses e também pilotar os aviões americanos que lhes foram vendidos. A tensão aumentou ainda mais quando os americanos passaram a fazer manobras militares no Pacífico, o que o Japão afirmou se tratar de uma afronta.

Em 1936 Alemanha e Japão firmam o Pacto Anti-komintern, que se tornaria uma espécie de aliança contra o comunismo. No ano seguinte, a Itália, liderada por Mussolini, que também iniciava seu projeto de expansão entraria na aliança.

Alemanha, 1937

Hitler discute na Chancelaria do Reich a expansão territorial vital para a Alemanha, tendo assim acesso a recursos para que o país voltasse a prosperar. Era hora de retomar o que havia sido tomado da Alemanha na Primeira Guerra. Mas Hitler iria além: era hora de expandir o Império Alemão.

Através de um plebiscito com resultado quase unânime, a Áustria é anexada à Alemanha em 1938 e em seguida partes da Tchecoslováquia também são anexadas.

Até então somente com observadores pasmos, os Ingleses e Franceses decidem, dessa vez, intervir diplomaticamente. Uma reunião entre os líderes desses países e também Itália e Alemanha, firma em 1938 o Acordo de Munique, cujo objetivo era aceitar as anexações promovidas pela Alemanha até agora desde que a expansão parasse por ali e a Alemanha não exigisse nenhum outro território.

Nesse mesmo ano a empresa americana Lockheed, fez a maior venda de aeronaves de sua história para os Ingleses, mas também venderam, em seguida, para os japoneses.

Na Alemanha e países anexados e simpatizantes, a perseguição aos judeus se tornava implacável. Durante os anos após a ascensão de Hitler, eles tiveram direitos revogados, suas crianças não podiam frequentar escolas de não judeus, nenhum deles poderia ter seguro saúde, não poderiam participar da política, suas lojas foram boicotadas e constantemente eram mal tratados nas ruas. Com isso os nazistas esperavam que eles simplesmente fossem embora.

Para os muitos que tentaram se mudar, recebiam somente portas na cara. Já passava das centenas de milhares os refugiados judeus.

O britânico Lorde Winterton, disse que a Inglaterra não era país de imigração. Os americanos informavam não possuir mais cota de imigração para essa “categoria” de refugiados.

Um jornal alemão publicou a manchete: “Judeus à venda — Quem os quer? Ninguém”.

O fato é que nenhuma nação quis receber os judeus. A única exceção foi a Republica Dominicana, que aceitou a entrada de 100.000 refugiados que formaram uma pequena colônia chamada Sosúa.

Os poucos campos de concentração que antes eram destinados à presos políticos, agora recebiam também judeus.

Presságios de Guerra

Boa parte do povo alemão apoiava Hitler. Ele havia reerguido a Alemanha e acabado com o humilhante Tratado de Versalhes. A perseguição aos judeus era um caso complexo, já que era algo historicamente incrustado nas civilizações, e isso talvez, justifique um pouco a passividade com que boa parte dos alemães e também outras nações assistiam as injustiças nazistas.
As coisas ficaram mais acaloradas quando então um judeu em Paris revoltado com o tratamento que a família recebera na Alemanha foi até a embaixada alemã e alvejou um diplomata.

Como represália, e para deixar parecer que a população alemã estava toda enfurecida, o partido deu ordens aos seus militantes para iniciar uma revolta por toda a Alemanha, onde judeus foram espancados, sinagogas queimadas e casas e lojas destruídas. A revolta ficou conhecida como Noite dos Cristais, e repercutiu por todo o mundo.

Americanos membros de instituições beneficentes dialogaram com a Gestapo uma forma de amenizar o sofrimento dos judeus. Receberam autorização dos alemães para visitarem os centro de refugiados para inspeção. Descobriram que o objetivo dos alemães era deportar todos os judeus da Alemanha, porém nenhum outro país os aceitava, mesmo que a maioria se apresentava na mídia preocupada com o “problema judeu” e alguns tentaram estabelecer colônias de refugiados fora de seu território. Com o clamor de parte da população americana e inglesa, aos poucos começaram a abrir exceções para algumas milhares de crianças judias.

Erra porém, aquele que hoje prega que os alemães foram coniventes com a monstruosidade que acontecia e com a que estava por vir. O meio militar, onde estavam aqueles que tinham mais informações que a população em geral, era onde Hitler mais encontrava opositores.

Com exceção dos fanáticos militantes de Hitler, ninguém mais desejava iniciar uma guerra.

O general Ludwig Beck, chefe do Estado Maior, recomendou a seus generais não obedecer as ordens de Hitler caso ele tentasse invadir a Tchecoslovakia. Mas a notícia rapidamente chegou aos ouvidos do ditador que obrigou o general a renunciar.

Porém, Franz Halder, que assumiu o posto de Beck, também tinha a consciência no lugar e, depois de observar Hitler, o julgou cruel e portador de alguma doença mental.

Junto com alguns conspiradores, tentou elaborar um golpe, mas receoso do clamor popular. Resolveu esperar um melhor momento para o golpe, e ter provas concretas de que o ditador planejava levar a Alemanha a uma nova guerra mundial. Alguns mais radicais queriam assassinar Hitler o mais rápido possível.

Contudo, o general Halder esperou tempo demais.

Em 1939, quebrando o acordo de Munique, Hitler invade o restante da Tchecoslováquia e então coloca seus olhos na Polônia, cuja grande parte era de regiões antes alemãs.

A França e a Inglaterra deram um ultimato a Hitler, informando que não aceitariam uma possível invasão à Polônia. Enquanto isso, Hitler discursa para os comandantes alemães para justificar a sua decisão de invadir a Polônia.

Para isso, em agosto de 1939, um irônico tratado de não agressão foi assinado com os Soviéticos, para que, assim, Hitler não encontrasse oposição na ocupação sobre a Polônia. A ironia do tratado era de Hitler, um dos maiores opositores do Comunismo na Europa, assinara um tratado de não agressão com um país comunista. Dessa forma, era claro para todos que o tratado era somente momentâneo, porém, muito importante para Hitler caso uma guerra começasse, evitando assim, lutar em dois fronts, o que é uma enorme desvantagem para um país em guerra.

Toda essa preparação deixava sobre a Europa um silêncio simbólico, como um presságio para horror que estava por vir. Era o vento da guerra se aproximando.

Começa a Guerra de Mentira

1 de setembro de 1939
4h45 da madrugada.

Começa a invasão da Polônia. Pouco depois, França e Grã-Bretanha declaram guerra à Alemanha enquanto os Estados Unidos declaram neutralidade. Em 10 de setembro é a vez do Canadá declarar guerra aos nazistas. No lado oriental, os soviéticos invadem parte da Polônia que diziam se tratar de área de influência russa. Em 27 de setembro Varsóvia cai e a Polônia é conquistada.

Começa a Guerra de Mentira.

Esse apelido se deve ao fato de que, apesar da guerra declarada pela Inglaterra, com exceção de poucos ataques leves e simbólicos, não houve conflito com a Alemanha, que continuava sua expansão invadindo em 1940 a Noruega e Dinamarca e em seguida Bélgica, Holanda e Luxemburgo.
A Itália de Mussonlini declara guerra aos aliados. E Hitler vira-se para seu alvo de honra: França.

A queda da França

Em maio de 1940 começa a invasão da França. Apesar de que o número de soldados franceses e seus equipamentos serem iguais aos dos Alemães, uma superioridade estratégica pulverizou o exército francês, e em menos de três semanas de batalhas Hitler toma Paris.

Como vingança histórica, Hitler obrigou os franceses a assinar sua rendição no mesmo vagão de trem em que fizeram os alemães assinar o armistício na Primeira Guerra.

Acabava a Guerra de Mentira. A facilidade com que os nazistas tomaram a França mostravam que o poderio alemão e as ambições de Hitler não podiam mais ser subestimadas.

Fronts Definidos

Em 1941 a Alemanha invade a Iugoslávia e a Grécia. Mas o pior estava para acontecer. Em junho de 1941 numa controversa ação inicia aquilo que seria marcado em toda a história e também se tornaria um dos fatores que mudaria completamente o status quo da guerra.

Num potente e rápido ataque surpresa (BlitzKrieg), Hitler quebra o pacto de não agressão e começa sua marcha sobre a União Soviética, abrindo o front oriental, onde mais de 3 milhões de soldados participam do início da invasão.

Nos primeiros meses de batalha as vitórias alemãs aniquilaram boa parte do exército vermelho e ocuparam pontos estratégicos importantes. Em setembro inicia o cerco a Leningrado.

Mais ao oriente, outro fator decisivo ajudaria a mudar o rumo da guerra.

Muito se diz sobre o porquê dos japoneses terem atacado a frota americana, mas o fato é que há muitos anos que os Estados Unidos vinham provocando econômica e militarmente o Japão, com exercícios militares no pacífico, apoio à China, embargos e também com elaboração de planos para aniquilar e dominar o Japão.

Assim em 7 de dezembro de 1941, os japoneses desferem um golpe surpresa na frota americana estacionada em Pearl Harbor, onde bombas, torpedos e pilotos Kamikazes geraram mais de 2000 baixas, afundando vários navios de guerra americanos, abatendo centenas de aviões e levando os americanos à uma rápida derrota.

Os Estados Unidos declaram guerra ao Japão, e como consequência da aliança, a Alemanha declara guerra aos americanos. O conflito se tornava global.

A Nações Unidas

No ano de 1942, 26 países assinam um pacto para lutar até a derrota do Eixo. Nesse pacto, pela primeira vez na história é utilizado o termo “nações unidas”.

Na Alemanha começa aquilo que entraria para a história da vergonha da humanidade: a Solução Final.

A Solução Final era o projeto Nazista de remover todos os judeus da Alemanha e dos territórios ocupados. O meio mais prático encontrado posteriormente era a execução. Milhares e milhares de judeus eram enviados constantemente para campos de concentração onde eram explorados como escravos e boa parte exterminada nas câmaras de gás, enquanto outra parte sofria até a morte nas mãos de alguns médicos que os usavam para experiências médicas cruéis e abomináveis. O mais famoso e letal grupo de campos de concentração era o de Auschwitz-Bikernau, localizado no sul da Polônia, e que viria a se tornar o símbolo do Holocausto.

A Batalha de Stalingrado

Julho de 1942

Com os sucessos da avanço alemão sobre a Rússia, Hitler decide tomar a importante cidade de Stalingrado. Com isso ele esperava desmoralizar os soviéticos conseguindo assim uma rendição. E em setembro de 1942 iniciam uma das maiores batalhas da história da humanidade.

Os Alemães, sob o comando do general Von Paulus, a um elevado custo, conseguiram tomar 70% da cidade, o que parecia já ser uma vitória. Porém, mesmo com muito mais baixas, os russos não se rendiam, e soldados soviéticos que tentassem recuar eram executados pelos próprios comandantes.

Com a chegada do inverno, a natureza se vira contra os alemães que morrem de frio e fome. Os soviéticos aproveitam esse momento para um contra-ataque massivo. O general Von Paulus, envia mensagens para Hitler para que eles pudessem recuar, porém, o Führer não aceita e o promove a Marechal, na tentativa de lhe dar mais incentivo para continuar lutando.

Mas já era tarde demais.

Em fevereiro de 1943, encurralados e famintos, mais de 100.000 alemães se rendem em Stalingrado, pondo fim a batalha mais sangrenta da história.
A batalha termina com aproximadamente 2 milhões de baixas.

O rumo da guerra também muda.

Arrivederci, Roma

A Alemanha agora lutava em dois fronts, o que era uma terrível desvantagem, já que seus exércitos agora eram divididos e, consequentemente, enfraquecidos.

Os aliados aproveitaram essa desvantagem para intensificar os ataques no front ocidental.

Para piorar a situação contra Hitler, em julho de 1943, Mussolini é deposto e preso e o novo governo italiano declara guerra à Alemanha.

Tudo parecia ir contra os Alemães, que ainda assim se sobressaíam em várias batalhas. Mas o golpe fatal ainda estava para acontecer. Os americanos planejavam uma invasão.

O Dia D

6 de junho de 1944
Dia D

Tropas aliadas desembarcam sob fogo pesado na Normandia. Centenas de milhares de homens e milhares de navios e aviões atacam a região que, depois de um jogo de espionagem, ficou pouco protegida por Hitler.
Mas mesmo assim a resistência nazista foi grande, resultando em meio milhão de baixas e 200.000 soldados alemães capturados.

A batalha é vencida pelos Aliados que, então abrem um novo front de batalha com a Alemanha e piora ainda mais sua situação.

Poucos meses depois a França estava libertada dos nazistas e os Aliados continuam a marcha até cruzarem a fronteira e tomam Achen, a primeira grande cidade alemã a ser ocupada na guerra.

No front oriental os soviéticos avançam cada vez mais em direção à Alemanha e chegam até Auschwitz, libertando os campos de concentração.

A Alemanha estava cercada. Soviéticos avançando e ocupando pelo lado oriental e os demais aliados pelo lado ocidental, até que ainda em 1944, Berlim se viu prensada entre americanos e soviéticos.

Restavam à Alemanha o 9º é 12º exércitos, que se encontravam no front oriental. Hitler em seu bunker, cada vez mais insano, mandava ordens absurdas para seus exércitos, alguns que nem sequer existiam mais e enviou crianças para a guerra para defender a já condenada Berlim.

Porém, os comandantes do 9º e 12º exércitos pararam de respeitar as ordens do Führer. Afirmaram que diante da atual situação, a vida de seus homens tinha mais valor que o respeito ao Führer. E assim decidiram por se render. Só havia um problema.

Os soviéticos causavam terror por onde passavam, estupravam mulheres civis alemãs, matavam e torturavam idosos, crianças e prisioneiros. E assim, a última missão dos dois últimos exércitos alemães era retardar e evitar o soviéticos enquanto marchavam em direção ao front ocidental para se render aos americanos. Apesar das inúmeras baixas e da difícil negociação com os americanos, finalmente conseguiram a rendição para o ocidente. Porém, os americanos diziam que só tinham autorização para dar cuidados médicos e alimentos a prisioneiros de guerra, não podendo fazer nada pelos civis que os acompanhavam também com medo dos soviéticos.

A guerra para a Alemanha já estava perdida.

Em 28 de abril de 1945, Mussolini é executado na Itália, Hitler se mata dois dias depois em seu bunker, junto com sua esposa, Eva Braun, e seu mais fanático seguidor, Goebbels, e sua esposa, que antes de cometer suicídio, matou seus filhos.

Schlüß

Em 7 de maio de 1945, o general Alfred Jodl assina com os aliados a rendição da Alemanha. Era o fim da guerra na Europa.

Mas no pacífico, os americanos ainda tinham que resolver o problema com o Japão. Mas a forma como o fariam seria criticada por toda a história.

Em 9 de agosto de 1945 o bombardeiro Enola Gay solta sobre Hiroshima a primeira bomba atômica usada para um ataque na história. Mais de cem mil civis morreram e outros milhares levaram feridas e sequelas horríveis pelo resto da vida.

Antes que pudessem assimilar o que os havia atingido, uma outra bomba atômica é lançada, três dias depois sobre Nagasaki, matando mais 80.000 civis e ferindo vários outros.

Apesar de extremamente cruel e injusto, o ataque americano funciona e em 14 de agosto de 1945 o Japão se rende.

Acaba a segunda guerra mundial. Mais de 53 milhões de pessoas perderam a vida na maior guerra já vista na história da humanidade.

Em novembro de 1945 inicia os Julgamentos de Nuremberg, onde membros do alto escalão nazista que haviam sobrevivido foram julgados por crimes de guerra e contra a humanidade.

O julgamento terminou no ano seguinte com 12 condenações a morte por enforcamento, 7 prisões, sendo dessas 3 perpétuas e três absolvições.

Posfácio

A história é escrita pelos vencedores.

Essa máxima deve ser levada em conta ao se estudar a segunda guerra mundial. O breu que envolve os fatos expostos acaba sendo, vez ou outra, mais ofuscado ainda pelo tabu. Discutir números, culpas e monstruosidades pode ser intelectualmente perigoso, pois todo o tabu que protege a história dos vencedores pode acabar taxando quem argumenta de anti-semita ou neo-nazista.

Por isso, por muito tempo, as pessoas contaram apenas com a versão oficial dos vitoriosos e por outro lado as absurdas versões dos radicais revisionistas, alguns chegando ao ponto de negar o holocausto.
Mas com a poeira baixando, foi possível vir a tona toda a monstruosidade que ocorreu na guerra não somente pela mente insana de Hitler, mas também por parte dos aliados.

A questão dos judeus também é estudada, levando pessoas e serem mal vistas quando tentam, não negar o holocausto, mas argumentar o número de executados em campos de concentração, por exemplo. E também criticar o fato de que até hoje os judeus exploram de forma lucrativa o holocausto, como explica o judeu Norman Finkelstein em seu livro A Indústria do Holocausto.

Ainda sobre os judeus, devemos entender que Hitler não criou um ódio pelos judeus, ele foi educado assim. Educado por absurdas ideias preconceituosas e culturas seculares que vagam pelo mundo até hoje.

E sobre a guerra em si, é muito fácil para quem vence se portar como herói e se colocar como tal nos anais da história. Mas o que vemos, devido aos inúmeros documentos e testemunhas da guerra é algo bem diferente: não houveram heróis nessa guerra: somente humanos, que fizeram monstruosidades e também ações heróicas e benevolentes, não só por parte dos aliados, mas também por parte dos alemães.

Não há como negar uma parcela de culpa bem maior aos líderes fanáticos do nazismo por suas ações cruéis e absurdas lideradas por uma mente carismática e magnética, porém completamente insana como a de Adolf Hitler.

Mas ao mesmo tempo, não podemos esquecer da culpa de todos os demais, com suas bombas atômicas, seus estupros, torturas e também a forma em que, após a primeira guerra, transformaram a Alemanha num gigantesco campo de concentração para toda a população. James McDonald da Foreign Policy Association, por volta de 1933 afirmou: “A guerra, o tratado de Versalhes e tratamento dispensado à Alemanha a partir da primeira guerra levaram os alemães a se voltarem para novas lideranças. O hitlerismo é, na verdade, um presente dos Aliados e dos Estados Unidos.”

Com isso podemos responder também as perguntas que todos que não pesquisam muito fazem nos dias de hoje, como “por que os alemães aceitaram todos os horrores que os nazistas promoviam contra os judeus?”
Na verdade eles não aceitavam. Boa parte da população nem sequer tinha certeza do que realmente estava acontecendo. Claro que ouviam falar através de fofocas e boatos, mas, o que eles podiam fazer?

Morando no Brasil fica fácil para entendermos a posição não só dos civis, como dos militares alemães perante o holocausto. Em muitos países mais justos e civilizados, um assassinato vira notícia de primeira capa de jornal de tão absurdo que é, enquanto aqui no Brasil são tantos assassinatos diários, a maioria por motivos tão absurdos, que vários sequer são noticiados, ou somente ganham uma pequena nota num jornal sensacionalista, de tão banalizada que a violência está, isso sem contar os inúmeros assaltos, torturas, invasões a domicílio, estupros e sequestros. Então faça essa pergunta a você mesmo: “Por que você aceita todos esses horrores promovidos no Brasil?” O que quer que passe pela sua cabeça será a resposta para a pergunta sobre os alemães perante o holocausto.

Mas numa guerra é diferente, e por isso, mesmo culturalmente taxados como indesejáveis, alguns judeus receberam auxílio de alemães quando foi possível. Mas não havia muito o que se fazer.

Podemos perguntar também porque nenhum outro país quis aceitar os judeus refugiados. Hitler e seus fanáticos transformaram cruelmente todos os judeus da Alemanha em indesejáveis e os queriam fora dali. Os países que não os aceitaram acabaram de selar o seu destino.

Outra questão que se levanta é sobre o exército alemão. Por que os militares apoiaram Hitler em sua guerra insana? Na verdade não foi um apoio. O exército é o braço de ferro do governo, principalmente numa ditadura. Recebe ordens e pronto. E mesmo assim Hitler enfrentou muitos opositores do alto escalão da Wehrmacht. Alguns o queriam preso, outros o queriam declarado como louco e dois atentados promovidos ou auxiliados por altos oficiais do exército foram executados contra Hitler. Infelizmente ambos falharam.

No livro “Soldados, sobre lutar, matar e morrer” Harald Welzer explica porque horrorizamos hoje com determinadas coisas que outras pessoas, de outros países em outras épocas achavam normal ou algo cotidiano, bem como sobre o porque da crueldade banalizada de soldados. Tudo isso é explicado através de marcos referenciais, que agem como guias inconscientes de acordo com o ambiente que cerca uma pessoa e seu grupo sócio-cultural. Ou seja, só seremos capazes de entender a ações de outra pessoa se nos colocarmos e entendermos o seu marco referencial.

Assim, nós, sentados confortavelmente em nossas poltronas, tomando uma xícara de café enquanto navegamos por sites idiotas na internet, vivendo em um outro país, numa outra época em meio a uma cultura completamente diferente não temos direito algum de julgar os alemães, judeus, americanos e ingleses da época ou seja lá quem for que esteve em meio a esse sombrio evento que paira sobre nossa história. Tudo que podemos fazer é estudar e aprender os fatos da guerra para que, assim, talvez nos livremos de ter que passar por todos esses horrores novamente.

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