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Áudio

Espíritos

Christian Gurtner 16/09/2018 373 1


Background
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Tudo tem um começo. Conheça a surpreendente história do espiritualismo e, posteriormente o espiritismo, que movimentaram a Europa no século XIX.


Casa dos Fox

PATRONOS

Esse episódio foi possível graças ao apoio de Allan Viana, Christian H Mendes, Edmar Silverio Pereira, Etel Sverdlov, Evandro Faria, Filipe Rios, Herman Faulstich, João Paulo da Silva Almeida, Luís Andrade, Pacifico Fernandes, Samuel Bezerra de Lima, Silvia Mitsu D’ Avola dentre outros.

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Sessão espírita no Sec XIX em que a mesa se movimenta involuntariamente

LINKS CITADOS


Espíritos
Irmãs Fox

TRILHA SONORA

  • Spooky Place — Myuu (Nicolas Gasparini)
  • Trembling — Myuu (Nicolas Gasparini)
  • Rise and Fall — Myuu (Nicolas Gasparini)
  • Road to Hell — Kevin Macleod (incompetech)
  • Carnival Freaks — Myuu (Nicolas Gasparini)
  • Carmen Habanera (Georges Bizet, executed by Myuu)
  • Disintegrating — Myuu (Nicolas Gasparini)
  • Play with me — Myuu (Nicolas Gasparini)
  • Magic Forest — Kevin Macleod (incompetech)
  • Truth in the stones — Kevin Macleod (incompetech)
  • Morgana Rides — Kevin Macleod (incompetech)
  • Cherry Blossom — Kevin Macleod (incompetech)
  • Heart of Nowhere — Kevin Macleod (incompetech)
  • Collapse — Myuu (Nicolas Gasparini)
  • The Crypt — Myuu (Nicolas Gasparini)
Sir Arthur Conan Doyle (esq.) e Harry Houdini, num encontro nos Estados Unidos.

BIBLIOGRAFIA

TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO

(As transcrições dos episódios são publicadas diretamente do roteiro, sem revisão, podendo haver ainda erros ortográficos/gramaticais e, assim, pedimos que marquem os erros e deixem uma nota para que possamos corrigí-los)

Ler a transcrição completa do episódio

As irmãs Fox

Estados Unidos, 31 de março de 1848

Naquela noite, as irmãs Margareth e Kate Fox, de 14 e 11 anos, disseram aos pais que iriam se comunicar com um espírito que habitava a pequena casa que moravam.

Antes que a mãe pudesse contrariar, batidas misteriosas foram ouvidas. As irmãs faziam perguntas, e as batidas pareciam responder.

Uma vizinha foi chamada para testemunhar aquele estranho acontecimento. A mãe das irmãs mandou o espírito contar até cinco. E então cinco batidas eram ouvidas.

Enquanto todos se assombravam com aquele fenômeno, a mãe continuava fazendo perguntas e dando ordens, e o espírito respondia com as fantasmagóricas batidas.

Logo as Irmãs Fox foram convidadas e demonstrar o fenômeno em outros lugares, não demorando para já estarem realizando turnês por toda a parte.

Pagando uma entrada, as pessoas podiam participar de uma sessão em volta de uma mesa, onde através de batidas e outras formas de sinalização, espíritos se comunicavam com as irmãs.

A busca pelos mortos

A busca do homem por uma forma de se comunicar com os mortos não era novidade. Desde a antiquidade, menções em livros mostram que o homem sempre teve problemas em aceitar a morte e recorria a diversas formas de se comunicar com seus entes falecidos.

Porém, no século XIX esse interesse pelo contato com os mortos parecia estar em alta. O confronto filosófico entre a religião e a racionalidade parecia ser a causa disso, já que o rápido avanço científico da época fez com que religiosos passassem a procurar por evidências de suas crenças, e o caso das Irmãs Fox, foi a evidência mor que muitos buscavam.

O Espiritualismo

As irmãs chamaram a atenção de vários místicos e ocultistas e um movimento mundial começava a surgir.

O espiritualismo se espalhou pela América e Europa. Sessões eram realizadas por toda parte. Nas casas dos mais ricos, vários desses, convidavam mediuns para realizar as sessões fantasmagóricas até mesmo por modismo ou entretenimento macabro.

Esse movimento atraiu figuras proeminentes, como Abraham Lincoln e, curiosamente, Arthur Conan Doyle, médico e autor de Sherlock Holmes, personagem esse puramente racional.

Por outro lado, haviam os céticos, como o famoso ilusionista Harry Houdini, que tentava desmascarar mediuns fraudulentos.

Houdini vs Conan Doyle

Harry Houdini e Sir Arthur Conan Doyle eram amigos, e essa inusitada amizade que viria a se tornar inimizade, representava a sociedade daquela época em relação ao espiritualismo.

No entando, se tivéssemos que advinhar qual dos dois era o cético e qual o que acreditava em magia e espíritos, teríamos que escolher entre o mágico e autor de um dos personagens mais racionais da literatura, e certamente erraríamos.

Porém, no início, Conan Doyle até elogiava o trabalho de Houdini em desmascarar os charlatões, já que assim ele permitia que o trabalho dos mediuns que ele achava serem sérios, pudesse ser valorizado.

Nas diversas cartas que eles trocaram, os diferentes pontos de vista eram debatidos de forma amistosa.

Porém, certa vez, o casal Houdini foi convidado a jantar na casa dos Doyle. A esposa de Arthur, que se dizia medium, se ofereceu a realizar uma sessão com o ilusionista para que ele compreendesse melhor a seriedade do espiritualismo. Nada menos do que o espírito da mãe de Houdini veio se comunicar através da suposta medium. Porém, o espírito desenhou uma cruz para adornar o papel em que escrevia em inglês, mas a mãe de Houdini era judia e não entendia quase nada em inglês. O suposto espírito ignorou também o fato de que, coincidentemente, aquele dia era o aniversário dela.

Por cortesia, Houdini não falou nada naquela noite sobre o assunto, mas, alguns meses depois escreveu um artigo dizendo que, até então, não havia encontrado nenhuma prova de comunicação com espíritos.

A amizade entre o mágico e o médico escritor começou, então a se desmanchar.

Houdini continuou desmascarando os charlatões até mesmo depois de sua morte, tendo combinado com Bess, sua esposa, um código a ser usado para confirmar que era ele mesmo fazendo contato.

A viúva realizou sessões anuais para tentar entrar em contato com Houdini, mas sem sucesso.

O Espiritismo de Kardec

Enquanto isso, na França, um pedagogo chamado Hippolyte Léon Denizard Rivail, se aproxima do espiritualismo e então começa a se comunicar com espíritos, que o guiam nos trabalhos que ele passaria a fazer sob o pseudônimo de Allan Kardec.

Kardec começou a elaborar a dountrina espírita, que era muito do já conhecido espiritualismo, porém com um toque de ceticismo ao tentar trazer também um pouco da ciência para a doutrina.

Reunindo textos enviados por mediuns de várias partes, ele publicou o Livro dos Espíritos em 1857, codificando assim o espiritismo. E no ano seguinte era fundada a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.

A fraude

A era do espiritualismo entrou em decadência tão rápido quanto começou. Não bastasse os inúmeros charlatões que eram constantemente desmascarados, em 1888, Maggie, uma das irmãs Fox, confessou ao New York World que toda a história que teve início na casa dos Fox, não passou de uma brincadeira de crianças que, ao se mostrar lucrativa, acabou se tornando uma grande mentira. Maggie inclusive demonstrou como elas faziam os sons de batidas que tanto impressionaram as pessoas.

A fraude das irmãs Fox deu início ao espiritualismo, mas a confissão de que tudo era mentira, feita pela própria Maggie Fox, não foi suficiente para acabar com a crendice. Apesar da decadência do espiritualismo, muitas pessoas já estavam tão inseridas na crença de que tudo aquilo era real, que mesmo fatos contrários não as fariam mudar de ideia.

Além disso, o Espiritismo, por ter sido codificado e transformado em doutrina, conseguiu se desviar do tiro de canhão que fora a confissão de Maggie Fox, como se não tivesse nada a ver com o espiritualismo. E apesar de ter decaído da Europa, começou a fazer sucesso nas américas.

O Espiritismo no Brasil

O Brasil se tornou o país com a maior comunidade espírita do mundo. Todo o frenesi que o epiritualismo causou na Europa e Estados Unidos no século XIX, começou a despontar no Brasil no século XX. Inúmeros charlatões começaram a surgir e fazer sucesso para, então, acabarem desmascarados.

Mas a doutrina ganhava força não só pelo apelo da possibilidade de comunicação com os entes queridos que já morreram, mas também pelos ensinamentos que guiavam as pessoas para o bem em vida.

O Espiritismo prega a reencarnação e a evolução da alma. Além disso cre-se na existência de outros planetas, inferiores ou superiores ao nosso, onde reencarnam os evoluídos.

A ciência por trás dos espíritos

A era dos espíritos causou as mais diversas reações. Trouxe conforto para uns, medo para outros e desconfiança por parte de inúmeros céticos que taxavam os mediums de charlatões. E isso fez com que muitos fossem desmascarados.

A ciência entra então em campo. Diversos pesquisadores, muitos motivados pelos fenômenos paranormais causados por mediuns e sessões espíritas, passaram a estudar e explicar de onde vem os supostos espíritos.

Basicamente tudo gira em torno da mente e do corpo humano. O poder da sugestão já foi estudado e demonstrado diversas vezes.

Um experimento realizado pelo professor Richard Wiseman, é um exemplo disso. Ele reproduziu várias sessões do século XIX, usando os absurdos e já batidos truques que eram usados na época, como objetos se movendo e, ao final de cada uma delas, entrevistava os participantes. Um quinto das 152 pessoas que participaram das sessões, acreditaram ter vivenciado um fenômeno paranormal.

A explicação para isso está também no enquadramento. A partir do momento que você acha que tem uma explicação para algo, você não procura outra.

Fenômenos como as mesas que se moviam, o tabuleiro de Ouija e a brincadeira do copo também, foram desmistificadas há muito tempo. O próprio Michael Faraday elaborou um experimento que demonstrou que eram as pessoas e não fantasmas que moviam a mesa. E, claro que apesar de muitas vezes alguém estar querendo pregar uma peça, outras vezes esses fenômenos aconteciam sem que ninguém tivesse conscientemente movido nada. Trata-se do efeito ideomotor.

O efeito ideomotor é o movimento dos músculos de forma inconsciente, influenciados pela sugestão. Esse fenômeno já tinha sido estudado em 1808 pelo químico Michel Chevreul e melhor elaborado pelo naturalista William Carpenter em 1852.

E é exatamente o efeito ideomotor que explica o tabuleiro Ouija, que é basicamente a mesma coisa que a brincadeira do copo e outros parecidos, onde os participantes colocam seus dedos sobre o copo que é misteriosamente arrastado até letras presentes na mesa para formar palavras e, assim, receber mensages de espíritos.

A psicóloga Susan Blackmore realizou vários experimentos para demonstrar o efeito involuntário nessas atividades. Num deles, ela virou as letras de forma que os participantes não pudessem ver, mas um suposto espírito não teria dificuldades nisso, e assim, apesar de o copo ter se movido, nenhuma palavra real foi formada.

E por que o copo se mexe? Depois de um tempo, os braços dos participantes começam a ficar cansados e a pessoa começa a perder a habilidade de julgar com precisão onde está seu dedo. Assim isso acaba fazendo com que um ajuste involuntário cause um mínimo movimento no copo. Porém esse quase imperceptível movimento é o suficiente para que todos os outros braços cançados tentem se ajustar também involuntariamente ao movimento inicial. E como o que se espera é que o copo vá até alguma letra assim os participantes o levam inconscientemente, e as letras sequintes são nada menos do que achamos se tratar a palavra.

O psicólogo Joseph Jastrow, fez um experimento mostrando isso. Com um aparelho que media o movimento involuntário das mãos. Bastava que ele pedisse ao entrevistado que se imaginasse olhando para um objeto na sala, que sua mão imediamente realizada um pequeno movimento em direção ao mesmo.

Mas dentre todos os fenômenos, os que mais intrigam são os textos psicografados. Não só o fenômeno em si é impressionante, como a explicação para o mesmo é mais interessante ainda.

As mensagens psicografadas, conhecidas também como escrita automática, é quando o medium, escreve textos que, supostamente, são de autoria de espíritos e ele não tem consciência do que está escrevendo, normalmente de forma rápida. Há mediuns que psicografaram poemas, peças, romances, inúmeras cartas e publicaram vários livros de autoria de espíritos.

Apesar de existirem os charlatões que escrevem conscientemente, muitos mediuns realmente estão realizando a escrita automática. Porém isso não quer dizer que há um espírito usando o medium para escrever. O psicólogo Dan Wegner explica a psicografia aravés da nossa ilusão de livre arbítrio.

Em 1960, o neurofisiólogo William Grey Walker, realizou um experimento onde ele pedia que voluntários mudassem os slides de um projetor. Bastava que os participantes apertassem um botão para que o projetor passasse para o próximo slide. Eles podiam apertar o botão no momento que quisessem, e seus cérebros eram monitorados por eletrodos.

No entanto, o botão era falso, e o que realmente fazia a troca de slides era a atividade cerebral do participante através do eletrodo.

Algo curioso então acontecia: os participantes ficavam perplexos ao acharem que a máquina estava prevendo quando iriam apertar o botão, pois uma fração de segundo antes de tomarem a decisão de apertar o botão, o slide era trocado.

Assim o experimento mostrou que havia uma fração de segundo de atraso entre o cérebro tomar uma decisão e a pessoa ficar ciente que estava tomando uma decisão.

O cérebro faz duas coisas quando toma a decisão de mover o braço. Ele passa a mensagem para a parte do cérebro responsável por criar consciência e atrasa em uma fração de segundo o sinal que é enviado para o braço. Esse atraso é o que faz com que tenhamos a ilusão de que nossa consciência tomou uma decisão.

Assim, Wegner afirma que a psicografia acontece quando há um problema nesse processo de tomada de decisão, onde o cérebro manda o sinal para o braço escrever mas não envia o alerta para a parte que cria a consciência fazendo com que a pessoa tenha a sensação de estar escrevendo de forma involuntária.

Benevolência

Apesar de a própria ciência desbancar os fenômenos paranormais de religiões e doutrinas, aqueles que as seguem não se deixam abalar, pois a crença e a fé — as quais a ciência também demonstra como exercem influência sobre nossas mentes e corpos — as mantém fiéis no que acreditam.

E isso não é algo necessariamente ruim. O espiritismo, por exemplo, prega que os médiuns de fato se comunicam com os mortos, mas além disso, também prega o amor, a benevolência e a caridade. Não é preciso procurar muito para encontrar hospitais, lar de idosos, creches e várias outras instituições de caridade criadas e geridas pelos espíritas.

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